
Agentes isolam área contaminada pelo Césio-137 em Goiás (Foto: Instagram)
Um juiz federal negou o pedido de indenização e pensão vitalícia feito por um policial militar de Goiás, que alegou ter sido exposto à radiação ao isolar áreas contaminadas pelo Césio-137.
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Na decisão da última semana, o juiz Leonardo Buissa Freitas, da 3ª Vara Federal Cível, afirmou que não há provas suficientes de que as doenças apresentadas pelo policial aposentado estejam ligadas à exposição ao material radioativo.
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O policial declarou, em documento obtido pela coluna, que ingressou na PM em 1990 e trabalhou no isolamento de locais contaminados pelo Césio-137, incluindo Abadia de Goiás, onde funcionou o depósito de rejeitos após o acidente.
Ele afirmou que não recebeu equipamentos de proteção adequados ou orientação sobre os riscos da radiação durante seu trabalho nessas áreas.
O militar argumentou que desenvolveu problemas de saúde, principalmente psicológicos, devido à exposição ao material radioativo.
Apesar disso, o juiz rejeitou o pedido, observando que não há provas suficientes ligando as doenças ao Césio-137.
Freitas destacou que a ausência do policial na perícia médica, que poderia comprovar a exposição, foi crucial para a negativa da indenização, já que os exames apresentados não foram considerados suficientes.
“Sem a avaliação técnica da junta médica oficial, não há como enquadrar o demandante nas hipóteses dos incisos do art. 2º da Lei nº 9.425/96. Não há prova de incapacidade, não há prova de nível de irradiação e não há prova de nexo entre os transtornos psíquicos alegados”, escreveu o juiz.
O magistrado continuou: “O autor deve fornecer um início de prova ou submeter-se aos exames que o Estado coloca à disposição. Ao se esquivar da perícia, o autor inviabilizou a confirmação do nexo causal”.
Dessa forma, o juiz recusou o pedido do policial por falta de evidências que liguem os problemas de saúde à exposição ao Césio-137.
A coluna não conseguiu contato com a defesa do policial.
O acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, foi o maior desastre radiológico do Brasil e um dos maiores do mundo, com consequências que perduram até hoje.
Hoje, pensões são pagas a dois grupos: R$ 3.242 para radiolesionados pelo contato direto e aqueles que receberam irradiação acima de 100 RAD, enquanto outros beneficiários recebem R$ 1.621, valores ajustados recentemente pelo governo de Goiás.
O Metrópoles detalhou em reportagens como o lixo radioativo transformou a história de Goiás.
A série de reportagens especiais "Memórias radioativas" do Metrópoles narra a história completa do acidente com Césio-137.


