
Defensor público de MT, Rogério Borges Freitas, é novamente acusado de assédio moral e sexual (Foto: Instagram)
O defensor público Rogério Borges Freitas, afastado temporariamente do cargo de 1º Subdefensor Público-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, enfrenta novas acusações de assédio moral e sexual. Documentos indicam que uma segunda mulher apresentou queixa contra ele em junho deste ano, mencionando avanços físicos e verbais enquanto trabalhava na instituição.
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Em depoimento no dia 1º de junho, a ex-servidora da Defensoria relatou que Rogério se aproveitou de sua fragilidade emocional para se aproximar.
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Segundo o depoimento, após um velório em 2023, o defensor circulou de carro com ela por cerca de uma hora, estacionando depois em um local isolado. Lá, ele teria tentado beijá-la à força, mas ela conseguiu evitar o beijo.
Ainda de acordo com o relato, Rogério fazia comentários constantes sobre sua aparência, como "sua boca é linda" e "você está muito cheirosa", além de contatos físicos indesejados, como segurar suas mãos sem consentimento.
Ela também afirmou que Rogério frequentemente lembrava que ela mantinha o cargo graças à sua influência na instituição.
Após resistir, suas funções foram progressivamente reduzidas, com períodos sem receber demandas e faltas injustificadas em seus registros. Ela foi exonerada em fevereiro de 2024.
No depoimento, ela expressou a crença de que sua saída da Defensoria foi uma retaliação por não ceder aos interesses do gestor.
Ela também mencionou que Rogério usava referências religiosas para passar uma imagem de integridade.
OUTRO CASO
A nova denúncia se soma a uma investigação policial iniciada em maio para apurar acusações de importunação sexual e constrangimento ilegal contra Rogério, que teriam ocorrido por quase uma década. A investigação começou após uma denúncia registrada na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá em maio deste ano.
Os documentos indicam que os incidentes começaram em janeiro de 2017, quando Rogério ofereceu carona e a abordou sob o pretexto de ajudá-la com o cinto de segurança.
Em outro episódio, em janeiro de 2018, ele a convidou para seu gabinete, onde leu trechos da Bíblia para ela e um colega.
Em julho de 2019, ele teria elevado o tom de voz e humilhado a servidora ao exigir que ela realizasse tarefas sem qualificação técnica.
A coluna teve acesso a uma gravação de reunião em março deste ano, após conflitos internos na Defensoria, envolvendo a vítima.
Durante a reunião, Rogério disse que a servidora tinha um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia”.
“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém”, afirmou o defensor.
Ele aconselhou que ela aceitasse as ordens da chefia sem resistência.
“Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade, de oposição, de rebeldia. Procura manter a submissão ali. Porque ali nós acolhemos você e abrimos as portas do setor. Eu tenho respeito e carinho por você, mas às vezes alguns comportamentos precisam ser ajustados”, disse.
A servidora relatou sofrimento psicológico no ambiente de trabalho e afirmou que começou tratamento psiquiátrico e psicológico.
“Eu estou sobre medicação, tratamento psiquiátrico e psicológico. O que a gente vê é que tudo é abafado. Eu só estou aqui porque eu preciso. Senão, eu já pensei até de pular lá de cima com as coisas que ele falou”, afirmou.
Durante a reunião, Rogério leu trechos do capítulo 12 do Evangelho de Mateus e afirmou que “a boca fala do que o coração está cheio”. Em seguida, mencionou que as pessoas responderão por suas palavras “no dia do juízo”.
Ele questionou repetidamente se ela poderia perdoar o superior que ela apontava como responsável pelos problemas. “A senhora vai perdoá-lo e ele vai pedir perdão para a senhora.”
AFASTAMENTO CAUTELAR
Diante das denúncias, a Defensoria Pública-Geral publicou, em 13 de maio, uma portaria que determinou o afastamento cautelar de Rogério de suas funções como 1º Subdefensor Público-Geral por 60 dias enquanto os fatos são investigados.
A coluna contatou a Defensoria Pública do estado, que informou que o servidor será removido do cargo de chefia.
Em nota, a Polícia Civil confirmou que as investigações dos dois casos estão em andamento na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
“Os fatos estão sendo apurados com celeridade e imparcialidade e mais detalhes não podem ser passados por se tratar de investigação com sigilo.”







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