Ferroviários ameaçam greve na CPTM em São Paulo; governo tem até 31/7 para negociar

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Trem da CPTM na plataforma após falhas operacionais (Foto: Instagram)

O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) aprovou, na última sexta-feira (24/7), um indicativo de greve para o dia 4 de agosto. A decisão veio após falhas nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, durante os primeiros dias de concessão à Trivia Trens. O governo de São Paulo tem até o dia 31/7 para negociar com a categoria, caso contrário, uma paralisação poderá ocorrer na semana seguinte.

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Os ferroviários exigem a reestatização das linhas concedidas à Trivia Trens, a preservação de todos os empregos na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com o apoio do governo. Este projeto prevê a absorção dos funcionários da CPTM por órgãos estaduais após concessões.

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O sindicato declara que, se o governo não responder ou se recusar a negociar, uma nova assembleia será realizada em 3 de agosto para decidir sobre uma greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite do dia seguinte.

Na madrugada de quinta-feira (23/7), as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade tiveram suas operações interrompidas devido a um incêndio em um trem. Passageiros foram obrigados a desembarcar e caminhar sobre os trilhos na estação Tatuapé, em meio à escuridão.

O serviço nessas linhas, além do Expresso Aeroporto, foi assumido pela Trivia Trens dois dias antes. Desde então, foram registradas ao menos seis falhas no serviço.

Os problemas começaram na inauguração, com estações anteriormente administradas pela CPTM. No dia 22, a estação Brás operou de forma reduzida e ficou mais de 20 minutos sem trem, resultando em superlotação. A Barra Funda também teve operação reduzida, com um trem esvaziado, causando filas maiores.

Mais tarde, naquele dia, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse, por até 90 dias, a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, trabalhando em conjunto com a Trivia Trens.

A concessionária pediu desculpas pelos transtornos e afirmou cumprir suas obrigações contratuais de forma estruturada e cooperativa. Reafirmou seu compromisso em investigar as causas técnicas das ocorrências que impactaram os passageiros.

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que não hesitará em romper o contrato com a Trivia Trens se a concessionária não cumprir o contrato. Ele classificou o incêndio como "inaceitável" e disse que investigará as falhas, destacando que os problemas são antigos e não começaram com a Trivia Trens.

A concessão de serviços públicos tem sido criticada por adversários políticos de Tarcísio de Freitas, especialmente em meio à sua campanha de reeleição. Fernando Haddad comentou o incêndio, atribuindo-o à "falta de gestão do governo Tarcísio", e prometeu revisar contratos firmados por ele se eleito.

Na terça-feira (21/7), a Trivia Trens assumiu oficialmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e o Expresso Aeroporto, com um contrato de 25 anos prevendo R$ 14,3 bilhões em investimentos. Desde então, ocorreram seis falhas nos primeiros dias de gestão, afetando principalmente as linhas 11-Coral e 12-Safira.

Após os incidentes, a Artesp determinou que a CPTM atuasse por até 90 dias em conjunto com a Trivia Trens. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) também solicitou explicações ao governo e à Trivia Trens sobre as falhas, pedindo informações sobre o plano de contingências e a eficácia das medidas tomadas.

Na sexta-feira (24/7), a CPTM comentou a possibilidade de sabotagem levantada por Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, afirmando que uma investigação será realizada para identificar as causas das falhas e do incêndio.