
Janete Schvan Wendt com sorriso de alívio após controlar a coceira crônica nas costas. (Foto: Instagram)
A comerciante Janete Schvan Wendt, de 57 anos, residente em Missal (PR), enfrentou por cerca de cinco anos uma coceira intensa e persistente nas costas. O desconforto, localizado no lado direito abaixo da escápula, começou de forma leve, mas foi se agravando com o tempo, sem responder a tratamentos convencionais.
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“No início, pensei que fosse uma alergia. A coceira apareceu aos poucos e foi piorando. Quanto mais eu esfregava, mais coçava”, relata Janete. O caso dela é um exemplo clássico de notalgia parestésica, uma condição de origem neurológica que muitas vezes é confundida com problemas de pele.
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O QUE É A NOTALGIA PARESTÉSICA
De acordo com o fisioterapeuta Abnel Alecrim, especialista no tratamento da condição, a notalgia parestésica não tem origem na pele, mas nos nervos da coluna. “É uma condição neurológica periférica, caracterizada por uma coceira persistente e localizada, geralmente entre as escápulas das costas”, explica ele.
A condição está associada à compressão ou irritação dos nervos na região torácica da coluna, especialmente entre as vértebras T2 e T6. Fatores como má postura, sobrecarga mecânica e movimentos repetitivos podem contribuir para o problema.
Um dos maiores desafios é que a condição frequentemente é confundida com alergias ou doenças dermatológicas. “Usei várias pomadas, inclusive manipuladas e capsaicina, mas nenhuma ajudou”, conta Janete, destacando que a origem da coceira é neurológica. Alecrim explica que a irritação ou compressão nervosa altera a condução sensorial, fazendo o sistema nervoso interpretar estímulos como prurido, mesmo sem estímulo externo real na pele.
SINTOMAS VÃO ALÉM DA COCEIRA
Além do prurido persistente, a notalgia parestésica pode causar:
- Sensação de queimação ou formigamento;
- Coceira localizada (geralmente de um lado);
- Mancha escura na pele (por coçar constantemente);
- Desconforto que piora com certas posturas.
No caso de Janete, a condição afetou diretamente sua rotina. “Acordava algumas vezes por causa da coceira e, no dia a dia, me atrapalhou bastante. Eu me afastava do convívio das pessoas para aliviar o incômodo”, relata. Ela começou a evitar roupas abertas nas costas devido à mancha escura causada pelo atrito constante.
Antes de chegar ao diagnóstico correto, Janete consultou diversos profissionais, incluindo clínico geral, ortopedista e dermatologista. Foi a dermatologista quem suspeitou da condição e confirmou o diagnóstico após biópsia, embora o diagnóstico geralmente seja clínico e funcional.
“Um dos principais sinais é a falha de tratamentos dermatológicos convencionais e a piora com determinadas posturas”, explica Alecrim. Quando a causa está relacionada à coluna, a fisioterapia é o tratamento mais indicado, pois atua na origem do problema, corrigindo a postura e diminuindo a compressão e irritação dos nervos da coluna dorsal.
As abordagens principais para tratar a condição incluem exercícios específicos de mobilização da coluna torácica, reeducação postural, técnicas de deslizamento neural e liberação miofascial. O objetivo é restaurar a mobilidade e reduzir a irritação dos nervos.
MELHORA DEPENDE DE CONSISTÊNCIA
O tempo de resposta ao tratamento varia conforme o caso. Alguns pacientes relatam melhora nas primeiras semanas, enquanto nos casos mais crônicos, o tratamento pode levar de semanas a meses. A consistência e o autocuidado são cruciais.
No caso de Janete, ela percebeu melhora ao iniciar fisioterapia e pilates. “Hoje, controlo o quadro com os exercícios específicos que o fisioterapeuta me indicou. Quando os faço regularmente, os sintomas desaparecem e minha qualidade de vida melhora”, afirma.
HÁBITOS SIMPLES QUE REDUZEM O RISCO DE NOTALGIA PARESTÉSICA
- Evitar longos períodos sentado sem pausa;
- Manter-se fisicamente ativo;
- Cuidar da postura no dia a dia;
- Fazer pausas a cada 30 minutos ou uma hora;
- Manter boa hidratação.
“Exercícios simples, bem direcionados e ensinados por um fisioterapeuta podem reduzir significativamente o risco das coceiras persistentes”, orienta Alecrim. Embora pouco conhecida, a notalgia parestésica pode impactar significativamente a qualidade de vida. O caso de Janete demonstra que o diagnóstico correto e o tratamento adequado — especialmente focado na causa do problema — são essenciais para controlar os sintomas e recuperar o bem-estar.


