Coronel da PM é acusado de facilitar acesso do PCC à corporação, diz PF

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Relação polêmica entre coronel da reserva e operadores presos na Operação Janus (Foto: Instagram)

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins é apontado em um relatório da Polícia Federal como alguém que "parece abrir portas" da Polícia Militar de São Paulo para Cléber Azevedo dos Santos e o grupo criminoso ao qual o empresário estaria vinculado. O documento, obtido pelo Metrópoles, define Pereira Martins como "grande amigo" de Cléber e de Robson Martins de Souza, ambos presos na semana passada durante a Operação Janus, realizada pelo Ministério Público de São Paulo.

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O relatório detalha que a operação teve apoio da PM e visava desmantelar uma estrutura suspeita de lavar dinheiro, corromper policiais e prestar serviços financeiros ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros da PF destacou a relação próxima entre o coronel e os operadores presos, mencionando viagens conjuntas como um ponto de atenção.

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O relatório também menciona que o coronel parece facilitar o acesso de Cléber e seu grupo à PMESP. A análise se baseou em mensagens, áudios, fotografias e documentos encontrados em celulares apreendidos com os operadores. Apesar de investigar a possibilidade de pagamentos a oficiais da PM, o relatório, concluído em novembro de 2024, não encontrou evidências suficientes para confirmar essa hipótese.

Em agosto de 2023, Pereira Martins convidou Cléber para uma noite em um local chamado UNA, mencionando que levaria outros oficiais. Cléber recusou devido a outro compromisso, mas agradeceu o convite. As mensagens revelam uma série de convites para eventos sociais, incluindo festas e viagens. Em outubro, Pereira Martins perguntou a Robson sobre um encontro do grupo e brincou que Cléber deveria estar "com a cabeça cheia", sugerindo uma preocupação com grampos telefônicos.

A Polícia Federal identificou conversas entre Pereira Martins e Robson de outubro de 2022 a novembro de 2023, que incluíam cumprimentos, planos de viagens e encontros. A relação com Cléber é descrita como ainda mais antiga, com frequentes viagens conjuntas com o coronel.

Pereira Martins é listado como diretor de Colônias na Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo desde 2025, com mandato até 2029. Conversas analisadas pela PF mostram o coronel discutindo o uso das estruturas de lazer da entidade com os operadores. Em setembro de 2020, sugeriu uma viagem a Campos do Jordão, mencionando que tudo seria mais acessível para associados.

Cléber aceitou a proposta e enviou uma montagem com a foto do coronel e a inscrição "Força Pública". Em setembro de 2023, Robson perguntou sobre a reserva da colônia de Boraceia para o feriado, ao que Pereira Martins confirmou e mencionou um encontro pessoal. A conversa incluiu uma escolha entre espetinho de carne ou pastel, ao que o coronel respondeu "Tanto faz".

O relatório não aponta irregularidades nas reservas das colônias nem quem pagou pelas estadias. A proximidade entre o coronel e os operadores também é evidenciada por fotos publicadas pela esposa do coronel, que mostram celebrações conjuntas, como a chegada de 2023 com Cléber e família. As postagens foram posteriormente removidas, mas reforçam a convivência descrita nos relatórios.

Cléber e Robson foram presos em 21 de julho durante a Operação Janus, que prendeu 11 dos 18 investigados. Segundo o Gaeco do MP, o grupo operava uma estrutura clandestina de lavagem de dinheiro, usando transferências bancárias para ocultar a origem dos recursos.

Pereira Martins não foi alvo da operação e não teve a prisão decretada. A PF, no relatório de 2024, não encontrou evidências de que ele tenha recebido propina ou participado das movimentações financeiras do grupo. No entanto, os documentos mostram uma relação de longa data com viagens, festas e uso de colônias.

A Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública afirmaram, em nota conjunta, que não toleram desvios de conduta e já iniciaram investigações internas sobre o caso. A Corregedoria da PM solicitou acesso à investigação do MPSP para adotar medidas cabíveis.