
Teresa Leitão e Lula durante encontro após indicação da senadora como líder do governo no Senado (Foto: Instagram)
A senadora Teresa Leitão (PT-PE), nova líder do governo no Senado, assume a liderança em meio a uma relação tensa entre o Palácio do Planalto e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa. Sua principal missão será avançar com pautas fundamentais para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Lula e Teresa devem se encontrar nesta segunda-feira (29/6) para a primeira reunião presencial desde sua indicação, feita na última quinta-feira (25/6). A escolha de Teresa ocorreu após Jaques Wagner (PT-BA) decidir, em comum acordo com o presidente, deixar a liderança.
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Jaques Wagner renunciou ao cargo na quarta-feira (24/6), após ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Ele é suspeito de favorecer o Banco Master, de Daniel Vorcaro, no Congresso por vantagens. A pressão para sua saída aumentou devido ao temor de que o caso prejudicasse a campanha de Lula.
A reunião entre Lula e Teresa servirá para definir as prioridades da liderança em um ano eleitoral, que tende a esvaziar a partir de agosto, quando os parlamentares focam em suas campanhas ou em apoiar seus partidos.
O governo planeja acelerar a tramitação de propostas estratégicas, como a PEC que acaba com a escala 6×1, antes do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho.
Esta medida é considerada uma prioridade do Planalto e uma das vitrines eleitorais de Lula. No entanto, seu progresso depende de uma decisão do presidente do Senado.
A PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas foi aprovada pela Câmara em maio, mas está parada no Senado. Neste domingo (28/6), completou um mês sem ser encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Alcolumbre afirma que a proposta pode ser melhorada. A oposição, por sua vez, apresentou uma PEC alternativa que mantém a escala 6×1 e prevê contratos por hora.
Na próxima semana, a pauta pode começar a avançar. Alcolumbre se reunirá com os autores da proposta, os deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSol-SP), além de Teresa Leitão e representantes sindicais, na quarta-feira (1º/7). No mesmo dia, ocorrerá uma audiência pública no Senado.
Nos bastidores, membros do governo apontam que o avanço da proposta depende de um acordo entre Lula e Alcolumbre. Fontes do Planalto reconhecem que a tramitação está condicionada a uma reconciliação entre os dois. Teresa, junto ao ministro José Guimarães (PT-CE), terá o papel de facilitar esse diálogo.
A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, atribuída à articulação de Alcolumbre.
Antes disso, Jaques Wagner já enfrentava dificuldades no cargo devido à relação com Alcolumbre. Em novembro de 2025, após a indicação de Messias ao STF, Alcolumbre deixou de atender Wagner. A rejeição de Messias foi vista como uma demonstração de força de Alcolumbre e uma derrota para o governo.
A escolha de Teresa Leitão foi influenciada pela ausência de conflitos com Alcolumbre.
QUEM É A NOVA LÍDER DO GOVERNO
- Teresa Leitão, 74 anos, é pedagoga e sindicalista com trajetória no PT de Pernambuco.
- Eleita em 2023, está no meio de seu primeiro mandato como senadora.
- No Senado, preside a Comissão de Educação e liderava a bancada do PT.
- Foi deputada estadual por cinco mandatos consecutivos, de 2003 a 2023.
- Após o anúncio, Teresa agradeceu a confiança de Lula nas redes sociais.
OUTRAS PAUTAS IMPORTANTES
Outra proposta estratégica é a PEC da Segurança Pública, que constitucionaliza o SUSP e amplia a atuação das polícias. Aprovada pela Câmara em março, a proposta perdeu força no Senado.
Lula já cobrou publicamente a votação, mas não houve avanço até agora.
Outras prioridades incluem o marco regulatório para minerais críticos, a criação do Redata para compartilhamento de dados entre órgãos públicos, e a tramitação de medidas provisórias.
Além de reconstruir a relação com o Senado, Teresa precisa destravar propostas prioritárias e mapear votos com antecedência, evitando que pautas de alto custo avancem sem negociação com o Planalto.
No início de junho, o Senado avançou com propostas que podem impactar em cerca de R$ 215 bilhões. Uma delas autoriza o uso do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas rurais, com impacto estimado de R$ 140 bilhões ao Tesouro Nacional em 10 anos. O texto está agora na Câmara.







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