
Vice-governador Felício Ramuth e a esposa Vanessa Ramuth em evento público (Foto: Instagram)
O deputado estadual Emídio de Souza (PT) entrou com uma representação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) pedindo uma investigação sobre o crescimento patrimonial e as atividades empresariais de Vanessa Ramuth, esposa do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB).
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Apresentada nesta segunda-feira (27/7), a solicitação enfatiza que a questão envolve "valores significativos, relações empresariais importantes e operações muito próximas do exercício de função pública relevante para serem consideradas apenas como negócios privados".
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Recentemente, o Metrópoles revelou, por exemplo, que a segunda-dama de São Paulo declarou inicialmente, no último Imposto de Renda, ter R$ 4,7 milhões em espécie. Na declaração de 2025, referente ao ano de 2024, ela informou à Receita Federal que possuía R$ 149 mil em dinheiro vivo.
Os dados indicam um aumento superior a 31 vezes de um ano para o outro. Contudo, à coluna Tácio Lorran, Ramuth enviou um documento alegando que houve um erro de digitação na declaração da esposa e que, na verdade, o valor correto é de R$ 47 mil.
Além disso, conforme o jornal Folha de S.Paulo, o patrimônio de Vanessa Ramuth aumentou 580% desde que o marido assumiu o cargo de vice-governador de São Paulo.
A representação desta semana destaca o "recebimento de recursos por empresas das quais a esposa do vice-governador participa, provenientes de sociedades com atuação em contratos públicos, de instituição financeira em liquidação extrajudicial e de empresas do setor de apostas esportivas".
"O governo de Tarcísio cobra rigor quando os fatos envolvem adversários políticos. Esse mesmo rigor precisa ser aplicado quando as suspeitas recaem sobre membros do próprio governo. Transparência não pode ter lado", afirmou Emídio.
O parlamentar solicita a análise das operações financeiras das empresas mencionadas, da compatibilidade entre os pagamentos recebidos e os serviços prestados, além de uma eventual relação entre os negócios e contratos públicos.
Em abril deste ano, o MPSP arquivou uma investigação contra Felício e Vanessa Ramuth. Conforme revelado pelo Metrópoles em fevereiro, o casal é alvo de uma cooperação internacional entre o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Justiça de Andorra para apurar possível lavagem de dinheiro em uma conta bancária no país europeu, conhecido por sua baixa tributação.
A investigação aponta que uma conta aberta pelo casal no banco AdBank, com saldo de US$ 1,6 milhão, poderia ser parte de um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo autoridades europeias, o dinheiro saiu de uma offshore no Panamá, passou por uma conta no banco Safra, em Luxemburgo, e chegou ao banco de Andorra.
A cooperação internacional entre Brasil e Andorra foi aberta em dezembro de 2024 para que Ramuth e Vanessa prestassem depoimento por videoconferência. Em outubro de 2025, o casal foi pessoalmente ao principado europeu para apresentar sua defesa. O depoimento do vice-governador durou cerca de uma hora.
Ramuth afirmou à Justiça de Andorra que comprovou a origem dos recursos, que teriam sido adquiridos antes de sua entrada na vida pública. O dinheiro pertence à Visio Corporation LTD S.A., empresa registrada no Panamá em nome de Vanessa, aberta em outubro de 2009, mesmo período da abertura da conta na Europa. Após a ida ao principado, a defesa dos Ramuth solicitou o arquivamento da cooperação no STJ.
Ao Ministério Público, Ramuth declarou que a denúncia apresentada pelo deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) é "fantasiosa e politiqueira". Ele argumentou que a offshore é exclusivamente da esposa, que não é agente pública, e que o caso não poderia ser enquadrado como improbidade administrativa.
O vice-governador também alegou que se casou sob o regime de separação total de bens. Ele afirmou que a conta e a empresa foram declaradas por Vanessa à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil.
Essa é a mesma explicação que o político dá por não ter declarado os recursos na Justiça Eleitoral. Em 2022, quando concorreu a vice-governador de Tarcísio, Ramuth não registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nenhum recurso no exterior.






