
Trump sob fogo cruzado: menos confiança e mais tarifas (Foto: Instagram)
Donald Trump é considerado o presidente dos Estados Unidos menos confiável da história. Segundo pesquisa do Pew Research Center, 76% dos 42 mil entrevistados em 36 países têm uma visão negativa dele. No Brasil, as políticas de Trump são pouco populares: 81% desaprovam as tarifas, 76% são contra a guerra no Irã e apenas 33% apoiam a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Esses dados, embora significativos, têm recebido pouca atenção, mesmo com Trump sendo uma figura central na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
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A política externa raramente é destaque nas eleições brasileiras, mas desta vez tem chamado atenção devido às ações dos Bolsonaros, desde a admiração por Trump até os elogios ao argentino Javier Milei. Essas atitudes têm resultado em perdas para Flávio e ganhos para o presidente Lula. De acordo com o Pew, 76% dos brasileiros acreditam que Trump interfere excessivamente nos assuntos do Brasil, número próximo aos 75% na Argentina de Milei, que também criticam essa intromissão.
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As influências de Trump e Milei nas eleições serão abordadas na pesquisa da Genial/Quaest, que começou na sexta-feira, 31 de julho, com resultados esperados para quarta-feira, 5 de agosto. Além de medir a intenção de voto e a avaliação do governo Lula, a pesquisa investigará os efeitos da "reconciliação" de Michelle com o enteado candidato e a participação de Bolsonaro, via IA, na convenção do PL, onde Milei insultou Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O impacto das políticas de Trump, como as tarifas impostas ao Brasil, já foi avaliado em pesquisas anteriores. Contudo, Trump anunciou novas tarifas logo após se encontrar com Flávio e ser fotografado com os irmãos Zero Um e Zero Três. Com essas tarifas entrando em vigor na semana passada, seu impacto político será agora avaliado.
A queda de Flávio nas pesquisas é atribuída a uma série de reveses, em grande parte causados por ele mesmo. Desde o pedido de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro para um filme, negado e depois confirmado por mensagens, até a proximidade com Trump, que tornou o Brasil o terceiro país mais tarifado do mundo.
As pesquisas podem ser decisivas neste momento. Em 2022, Jair Bolsonaro estava atrás de Lula, mas quase o alcançou no final. Ele venceu em São Paulo e Rio de Janeiro e quase empatou em Minas Gerais. No entanto, Lula venceu com uma diferença de 1,8%, pouco mais de 2 milhões dos 118,5 milhões de votos válidos.
Flávio está longe de repetir o desempenho do pai. Segundo a Quaest, ele cresce um pouco no Nordeste, mas perde força no Sudeste e até no Sul, região tradicionalmente bolsonarista. No Rio Grande do Sul, sua vantagem caiu para 32% contra 30% de Lula, uma diferença bem menor do que os 12,7 pontos percentuais de quatro anos atrás.
Diferente das pesquisas eleitorais que capturam intenções de voto imediatas, o Pew mede tendências estruturais. A pesquisa, realizada entre fevereiro e maio, mostrou que, sob Trump, os Estados Unidos perderam liderança, confiança e admiração, sendo vistos de forma mais negativa do que a China em 25 dos 36 países pesquisados.
O apoio de Trump tem sido frequentemente prejudicial. Sua abordagem imperialista e interferência agressiva em outros países, incluindo aliados, tem gerado reações contrárias. Isso já ocorreu no Canadá e na Hungria, e pode se repetir no Brasil. Flávio e seus aliados estão cientes disso, mas agora é tarde para esconder o boné do Maga, exibido com entusiasmo por boa parte da direita brasileira.
Mary Zaidan é jornalista






