
Holograma de coração simboliza a incorporação da ciência na prática clínica (Foto: Instagram)
Ano após ano, a medicina tem progredido em várias áreas. Pequenos e grandes estudos científicos impulsionam melhorias nas práticas clínicas diárias, proporcionando métodos mais eficazes e terapias que aumentam as chances de tratamento e cura para os pacientes.
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No entanto, como essas evidências se transformam em decisões clínicas que melhoram o tratamento dos pacientes? De acordo com cardiologistas, integrar novidades à prática não é simples. É essencial interpretar os estudos com senso crítico, traduzir as publicações para aplicá-las em diretrizes e protocolos, e combinar a melhor evidência disponível com os valores e preferências dos pacientes.
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Fábio Augusto De Luca, coordenador de Cardiologia da Rede D’Or em São Paulo, regional Oeste, explica que o ciclo só se completa quando os resultados para os pacientes são comprovados na prática. Não basta adotar uma nova conduta; é preciso verificar se ela realmente reduz mortalidade, complicações e reinternações, ou melhora a qualidade de vida. Quando médicos se mantêm atualizados, as instituições estruturam protocolos e os resultados são monitorados, transformando a evidência científica em um cuidado efetivo ao paciente.
De Luca ressalta que nem todos os estudos têm o mesmo peso. Ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises estão no topo. As sociedades médicas filtram e consensuam, enquanto as instituições de saúde transformam dados científicos em práticas diárias.
A médica Jacqueline Miranda, chefe de cardiologia do Hospital Copa D’Or, aponta que uma grande dificuldade em disseminar as evidências publicadas é transformá-las em mudanças, ações e procedimentos médicos no cotidiano clínico. Existe uma inércia terapêutica, onde o médico conhece a evidência, sabe que é nova, mas tem dificuldade de mudar sua prática clínica.
O caminho entre a publicação científica e o consultório será tema central do Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or 2026, que ocorrerá de 6 a 8 de agosto no Rio de Janeiro.
Segundo De Luca, nem todo avanço científico chega ao consultório. Apenas uma pequena parcela das pesquisas demonstra benefícios suficientes para mudar a prática clínica. Uma evidência só se torna parte da rotina médica quando seus resultados são consistentes, reproduzidos por outros estudos e mostram que o benefício para o paciente supera claramente os riscos. O tempo de incorporação pode variar e levar de cinco a 10 anos, mas quando um estudo demonstra impacto significativo, a incorporação pode ocorrer em menos de dois anos.






