
Exercício naval Brasil-Argentina é mantido apesar de crise diplomática (Foto: Instagram)
Em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, o governo de Javier Milei autorizou a entrada de militares e meios da Marinha brasileira em território argentino para a realização de um exercício naval conjunto no Atlântico Sul.
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A medida foi oficializada nesta quinta-feira (6/8) através do Decreto 717/2026, publicado no Diário Oficial da Argentina. A operação, chamada Fraterno XXXIX, reunirá unidades das duas Marinhas por aproximadamente 12 dias, a partir de 13 de agosto. As atividades ocorrerão entre as bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata, em águas sob jurisdição argentina, envolvendo navios de superfície, aeronaves e submarinos.
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A autorização acontece apenas dois dias após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o rebaixamento do nível das relações diplomáticas com a Argentina. A decisão brasileira seguiu uma série de ataques públicos de Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Apesar do agravamento político entre os governos, o exercício militar foi mantido. O decreto argentino destaca que a participação na operação é essencial para manter o treinamento conjunto e a interoperabilidade entre as forças navais dos dois países.
A relação entre Lula e Milei se deteriorou após a participação de Milei na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante o evento em São Paulo, o presidente argentino fez ataques diretos a Lula, chamando-o de "ladrão", "presidiário" e "lixo socialista". Essa escalada levou a uma resposta diplomática do governo brasileiro, incluindo a convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Glinternick Bitelli, para consultas e um protesto formal ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi.
No início desta semana, o governo Lula decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina. Em nota, Buenos Aires afirmou que o Brasil estaria tomando a decisão por "questões puramente ideológicas" e defendeu que as relações bilaterais fossem guiadas pelos interesses permanentes dos dois países, e não por questões políticas ou pessoais dos governantes.
O exercício Fraterno ocorre anualmente desde 1978, com o objetivo de aprimorar a atuação conjunta das Marinhas brasileira e argentina em operações navais, aeronavais e anfíbias. O decreto menciona que a atividade permite padronizar procedimentos de planejamento e comando, além de aumentar a capacidade de atuação coordenada das duas forças.
Buenos Aires também argumenta que a participação no exercício reforça o compromisso argentino com a segurança internacional e a estabilidade regional. O governo considera que a operação ajuda a fortalecer a presença da Armada Argentina no Atlântico Sul, visto como uma área estratégica. A ausência da Argentina, segundo o texto, prejudicaria o treinamento em operações combinadas de alta complexidade, inclusive em atividades relacionadas à guerra antissubmarino.
A edição deste ano será realizada em águas argentinas. O planejamento final foi concluído em julho, quando oficiais das duas Marinhas se reuniram na Base Naval Puerto Belgrano e assinaram o memorando que formalizou a realização do exercício.






