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Servidor do Detran-DF alega insanidade para evitar punição por fraudes milionárias

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Agente de trânsito do Detran-DF, Alexandre Macedo da Rosa, está foragido após suspeita de liderar esquema milionário de fraudes em transferências de veículos. (Foto: Instagram)

O agente de trânsito Alexandre Macedo da Rosa, de 42 anos, acusado de liderar um esquema milionário de fraudes no Detran-DF, conseguiu suspender um processo administrativo disciplinar sob a alegação de ser "absolutamente incapaz e inimputável" devido a problemas psiquiátricos.

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Logo após a decisão judicial, a Operação Ghost Operator revelou que ele e sua esposa, Shana Rodrigues Macedo, sua curadora legal, estavam à frente da organização criminosa. Ambos estão com mandados de prisão expedidos e são considerados foragidos.

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Conforme as investigações da Polícia Civil do DF, Alexandre coordenava uma rede que realizou mais de 600 transferências fraudulentas de veículos. O grupo utilizava senhas clonadas de outra servidora para burlar o sistema do Detran-DF durante a madrugada, removendo restrições de automóveis para vendê-los ilegalmente.

Em março de 2026, poucos meses antes da operação policial, a 6ª Turma Cível do TJDFT suspendeu um processo administrativo movido pelo Detran-DF contra Alexandre por vistorias irregulares em oito veículos em 2023. Ele teria alterado características dos automóveis em desacordo com a legislação e o manual.

O recurso foi apresentado por sua esposa como curadora, alegando que Alexandre já apresentava incapacidade mental desde 2020, condição reconhecida em sentença de interdição judicial. No pedido, também se afirmou que o Detran violou a lei ao tentar puni-lo sem uma avaliação médica psiquiátrica oficial, já que ele seria inimputável.

Os desembargadores decidiram que a negativa de instauração do incidente de sanidade mental violou os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Assim, o processo disciplinar foi suspenso até decisão final sobre a legalidade dos atos do Detran-DF.

PENALIDADES ANTERIORES
O Detran-DF informou ao Metrópoles que, antes da suspensão judicial, o processo disciplinar já incluía uma peça de indiciação do servidor, prevendo penalidade administrativa.

“Ressalta-se que o servidor já havia recebido penalidades administrativas antes da instauração deste processo”, acrescentou a pasta. O departamento declarou que, em decisão posterior, a Vara da Fazenda Pública não extinguiu o processo, mas ordenou seu retorno à Comissão Processante para continuação da apuração, com instauração de incidente de sanidade mental e avaliação médica oficial.

Segundo o Detran-DF, mesmo antes da intimação formal da comissão sobre a sentença, a defesa recorreu ao TJDFT pedindo o reconhecimento judicial da incapacidade civil e a dispensa da avaliação médica oficial.

O órgão também informou que, quanto aos fatos investigados na Operação Ghost Operator, ainda busca acesso completo aos elementos do inquérito policial para subsidiar possível novo procedimento administrativo disciplinar.

“O servidor permanece afastado devido à condição médica informada nos autos. A Subsecretaria de Saúde comunicou à curadora legal a necessidade de perícia médica presencial”, destacou a pasta.

OPERAÇÃO GHOST OPERATOR
A Operação Ghost Operator, conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte, identificou um servidor do Detran-DF como suposto líder de um esquema milionário de fraudes em transferências de veículos.

O grupo também removia irregularmente multas e restrições administrativas do sistema. Segundo o delegado Thiago Boeing, o servidor teria aliciado sua esposa e despachantes para captar interessados nos serviços ilícitos.

O grupo cobrava cerca de R$ 2 mil por transferência fraudulenta, e os valores eram depositados na conta da esposa do servidor, responsável por efetuar as alterações irregulares com a ajuda de terceiros.

De acordo com as investigações, o grupo cadastrava processos de transferência sem a documentação exigida ou com documentos falsificados. Em seguida, esses processos eram aprovados fraudulentamente via acessos irregulares ao sistema. As investigações indicam que a organização movimentou cerca de R$ 1 milhão.

Os envolvidos foram indiciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

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