
Ilustração do coronavírus Sars-CoV-2 (Foto: Instagram)
Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e divulgada na revista Scientific Reports em abril deste ano, indicou que indivíduos com diabetes que contraíram Covid-19 enfrentaram uma recuperação mais lenta e mais complicações relacionadas à Covid longa. Isso resultou na necessidade de acompanhamento médico prolongado.
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O estudo acompanhou 870 pacientes diabéticos ao longo de sete meses após a hospitalização, revelando que esses pacientes, além de demorarem mais para se recuperar, apresentaram maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e angina, em comparação com aqueles que não têm diabetes.
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Além desses problemas, o estudo também destacou que os pacientes analisados tiveram uma qualidade de vida inferior, maior fragilidade, incidência aumentada de quedas, dificuldades de mobilidade, piora na capacidade de realizar atividades físicas e declínio em aspectos físicos e cognitivos.
Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC), afirma que o diabetes não é apenas um fator de risco para a Covid-19 aguda, mas também compromete a qualidade de vida a longo prazo.
“O estudo evidencia a necessidade de um sistema de saúde adequado para essa população com diabetes que foi infectada pelo vírus da Covid-19, a fim de prevenir que esses sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinternações”, afirmou em comunicado.
Para alcançar esses resultados, os pesquisadores analisaram 320 pacientes com diabetes mellitus e 550 sem a doença. Todos faziam parte de um estudo maior, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que incluiu mais de 3.000 pacientes internados entre março e setembro de 2020, durante a primeira fase da pandemia.
Cerca de sete meses após a alta, esses pacientes passaram por uma avaliação médica completa, incluindo exames clínicos e laboratoriais. Os resultados mostraram que 94,3% dos pacientes sem diabetes se recuperaram completamente, enquanto 89,8% dos diabéticos não tiveram a mesma recuperação.
No que diz respeito ao sistema cardiovascular, o estudo revelou que pessoas com diabetes enfrentam um estresse significativo devido ao vírus, causado pela inflamação do sistema, agravada pela toxicidade do coronavírus, com o coração sendo um dos principais alvos.
Sobre problemas de mobilidade, aproximadamente 21% dos pacientes relataram quedas após a alta, enquanto a porcentagem entre os não diabéticos foi de 11,1%, quase a metade.
O estudo também identificou que 7,3% dos indivíduos sem diabetes que participaram do estudo desenvolveram a doença. Os pesquisadores acreditam que, embora o vírus da Covid-19 possa ter um papel direto na destruição de células pancreáticas, é provável que a infecção tenha desencadeado doenças em pessoas predispostas a elas. “É importante entender como a Covid-19 impacta o diabetes ao longo do tempo”, afirmou Maria Elizabeth.







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