Cresce mais de 70% o resgate de animais silvestres no DF entre 2025 e 2026

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Tucano é resgatado com a asa machucada em obra na DF-150, em Sobradinho (Foto: Instagram)

Cobras, onças, tamanduás… Quem vive no Distrito Federal tem notado um aumento na presença de animais silvestres nas áreas urbanas ao longo dos anos. Os dados do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA/PMDF) confirmam: de janeiro a maio deste ano, foram realizados 1.334 resgates de fauna silvestre no DF, um aumento de 73,4% em comparação com o mesmo período de 2025.

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No ano passado, o BPMA realizou um total de 2.487 resgates, o que representa uma média diária de quase sete operações do batalhão.

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Recentemente, uma jiboia foi resgatada em uma área verde próxima a uma escola pública na Candangolândia, na última terça-feira (2/6). O animal estava sem ferimentos e, após ser capturado, foi colocado em um recipiente adequado e solto em uma área de mata.

No mês anterior, um tucano foi resgatado em uma obra na área rural da DF-150, perto de Sobradinho. A ave estava com uma das asas machucada e não conseguia voar. Apesar disso, o tucano parecia saudável e foi levado para o Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HVet/UnB).

Em abril, um tamanduá-bandeira precisou de socorro do BPMA após cair na piscina de uma casa no Jardim Botânico. Após o resgate, o animal foi examinado e devolvido ao seu habitat natural, longe da zona urbana. No mesmo mês, um caso trágico ocorreu quando uma onça-parda jovem foi encontrada morta após ser atropelada no Lago Norte. Em março, outro tamanduá foi resgatado ferido dentro de uma casa em Sobradinho e levado ao Hospital da Fauna Silvestre (HFAUS) para cuidados veterinários.

A expansão urbana sobre áreas naturais, a intensa arborização do DF e o desmatamento são apontados por especialistas como fatores que explicam o aumento das aparições de animais silvestres. A bióloga Elis Teixeira, da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a arborização atrai esses animais, que acabam se adaptando. Além disso, o desmatamento ao redor do DF força os animais a buscar comida e abrigo próximos à área urbana.

A sargento Echamende, do BPMA, destaca que a expansão urbana, a fragmentação dos habitats e a busca por recursos durante a seca também contribuem para a presença desses animais na cidade. Ela ressalta que o aumento dos registros não necessariamente indica um crescimento populacional, mas sim uma maior interação com ambientes urbanos.

Além dos resgates, o crime contra a fauna, incluindo a apreensão de animais mantidos ilegalmente em cativeiro, também é uma preocupação. Os registros desse tipo de ocorrência aumentaram de 38 para 77 nos primeiros cinco meses de 2025 e 2026, um crescimento de 102,6%.

A bióloga Elis Teixeira enfatiza a importância de uma convivência pacífica entre humanos e fauna silvestre, citando o saruê como um predador natural de escorpiões. Ela sugere investimentos em educação ambiental para conscientizar a população sobre a vida no Cerrado e prevenir acidentes ou perda de biodiversidade.

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