“Rei do Bolão” vence duas vezes na Mega-Sena em menos de três meses

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Alessandro Montenegro, o ‘Rei do Bolão’, exibe o bilhete vencedor da Mega-Sena em sua lotérica Aldeota, em Fortaleza. (Foto: Instagram)

Premiado em duas ocasiões em menos de três meses na Mega-Sena deste ano, o empresário cearense Alessandro Montenegro, conhecido como "Rei do Bolão", compartilhou com o Metrópoles seu esquema de organização, venda e participação em bolões milionários das loterias Caixa.

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No domingo passado (9/8), no sorteio da Mega-Sena acumulada em R$ 164.895.645,50, o bolão da lotérica Aldeota, em Fortaleza (CE), propriedade de Alessandro, conquistou o prêmio sozinho. A aposta vencedora foi realizada com 15 números e dividida em 100 cotas (ou seja, mais de R$ 1,6 milhão para cada participante), incluindo uma cota do próprio dono da lotérica.

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Em maio, no sorteio especial de 30 anos da Mega, outro bolão da Aldeota ganhou e dividiu R$ 336.340.053,67 com apenas outra aposta, levando metade da fortuna (R$ 168.170.026,83). O valor foi repartido em 100 cotas (mais de R$ 1,6 milhão para cada) e cada participante pagou R$ 3.139,56 pelos 20 números apostados.

Embora a sorte tenha favorecido a mesma lotérica duas vezes este ano (e mais sete vezes nos últimos cinco meses em outras modalidades de sorteios menores), para o empresário, ganhar na Mega é mais sobre prognósticos numéricos do que sorte. Tudo se resume a estatísticas e probabilidade.

"Eu convivo diariamente com apostadores de todo o Brasil e muitos são supersticiosos. Tem quem diga que 'hoje é dia 13' ou 'sonhei com tal número', 'estou vendo tal número frequentemente', entre outras crenças. Mas eu realmente não tenho superstição. O que tenho é uma rotina de análise", afirmou.

"Passo o dia na empresa e, às 21h, o alarme do meu celular toca para acompanhar os sorteios. No dia seguinte, comento e analiso os resultados para as pessoas na internet, e elas gostam. Sou como um comentarista esportivo, faço minha parte técnica, analiso e compartilho informações", detalhou.

Para o Rei do Bolão, a melhor estratégia é apostar em mais números para aumentar as chances de vitória. "Quando se faz uma aposta simples na Mega-Sena, a probabilidade de ganhar é de uma em 50 milhões. Se o apostador fizer uma cartela de 15 dezenas, como fizemos no último prêmio, a probabilidade diminui bastante, para uma em 10 mil."

A estratégia, entretanto, é bem mais cara. Muito além dos R$ 6 cobrados por uma aposta única de seis números, uma aposta de 15 dezenas custa R$ 30.030. E é aí que o bolão entra. "Você pode participar de uma aposta com mais dezenas, aumentando as possibilidades, sem precisar arcar sozinho com todo esse valor", explica Alessandro.

O empresário replica essa tática nas modalidades "menores", como Quina e Lotofácil.

"Na Lotofácil, se o apostador optar por 15 dezenas, que custam R$ 3, a probabilidade de ganhar é de uma em 3,2 milhões. Mas se ele fizer uma aposta de 20 dezenas, as chances passam de uma em 211. No entanto, o preço da cartela chega a R$ 54 mil. No bolão, esse valor é então dividido nas cotas e fica bem menor. Meu trabalho é vender essas cotas e, assim, conseguimos colocar o bolão para rodar", detalha.

As lotéricas credenciadas pela Caixa têm autorização legal para organizar e vender cotas de bolões oficiais diretamente ao público. É permitida a cobrança de taxa de serviço de até 35% sobre o valor da cota para organizar as apostas. Para que o processo seja seguro para o comprador, cada cota vendida precisa obrigatoriamente acompanhar o recibo individual de cota impresso pelo terminal da Caixa. Sem esse recibo oficial, quem compra a cota fica desprotegido caso o jogo seja premiado.

Para gerir seu negócio, ele conta com uma equipe de 100 colaboradores que trabalham em sistema de rodízio para estudar estatísticas, preencher previamente os volantes da Mega-Sena, Lotofácil e Quina e deixá-los prontos para venda. Outra estratégia adotada é que as combinações de números não mudam a cada concurso; a numeração dos bilhetes permanece sempre a mesma.

"Quando participamos desses bolões, sabemos que existe um custo, mas tem dado certo para mim porque, dos bolões que confecciono para venda, também participo com uma cota. Então, todos esses prêmios agora, esses nove prêmios em cinco meses, acabam mostrando que a cota está dando resultado", comemora.

Apesar de a tática aumentar as chances matemáticas de acerto, não existe uma combinação de seis dezenas mais provável do que outra. Segundo o professor de ciência da computação do Centro Universitário de Brasília (Ceub) Bruno Zaban, qualquer conjunto de seis números entre 1 e 60 tem exatamente a mesma probabilidade de ser sorteado.

"A gente tem a intuição de achar que uma sequência aleatória tem mais chance de ser sorteada do que a sequência 1, 2, 3, 4, 5, 6. A nossa intuição diz que 1, 2, 3, 4, 5, 6 nunca vai sair. Mas os resultados são equivalentes", explica.

Isso significa que análises de resultados anteriores, números que saíram com maior frequência ou combinações consideradas "mais aleatórias" não tornam uma aposta específica mais provável de ser sorteada. O que efetivamente aumenta a chance de ganhar é cobrir mais combinações — seja apostando mais dezenas, seja participando de um bolão — e não escolher números supostamente melhores.

Zaban explica que, em uma aposta simples de seis dezenas, são possíveis 50.063.860 combinações diferentes. Assim, cada jogo tem uma chance em 50.063.860 de acertar as seis dezenas.

"Se você pega um pote e coloca 50 milhões de papeizinhos lá, um deles é a sua aposta. Se você mistura, a chance que você tem de ganhar na Mega-Sena é puxar um papelzinho em um potinho que tem aproximadamente 50 milhões de papeizinhos", compara.

A lógica também vale para sequências consideradas improváveis ou "óbvias": 1, 2, 3, 4, 5, 6 têm a mesma probabilidade de serem sorteados que qualquer outra combinação de seis dezenas. A diferença é que, caso uma sequência popular seja sorteada, é possível que mais apostadores tenham escolhido os mesmos números e, portanto, o prêmio seja dividido entre mais ganhadores.

Segundo Alessandro, apesar da grande publicidade dos prêmios que ganha, que faz parte do seu negócio, nem ele, nem membros de sua equipe nunca sofreram ameaças ou foram assaltados devido ao dinheiro dos prêmios. "Um dos segredos da segurança de qualquer pessoa é frequentar locais bons em horários diurnos. A gente vê muitos acontecimentos com pessoas que acabam se expondo em horários muito tarde da noite. Você não pode estar andando em locais errados ou com pessoas que não conhece. Também tenho, na empresa, toda uma estrutura de segurança, com direito a carro blindado e coronel liderando a equipe de guardas."

Sobre o que faz com os prêmios que ganha como cotista, Alessandro disse que não consegue ficar com o dinheiro parado. "No prêmio de maio, por exemplo, quitei meu financiamento imobiliário, comprei um apartamento para minha mãe e meu pai e também fiz melhorias na empresa. É assim: vamos jogando, vamos ganhando e, na verdade, destinando esses recursos", relatou.