Auditor da CGU revela que 1.200 servidores do Judiciário estão entre os 0,01% mais ricos do Brasil

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Estátua da Justiça em frente ao STF, alvos de críticas pelos altos rendimentos da magistratura (Foto: Instagram)

Um juiz no início da carreira na magistratura brasileira recebe aproximadamente 95% do salário de um membro da Suprema Corte dos Estados Unidos, que é a maior economia mundial.

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A informação foi divulgada pelo auditor da Controladoria-Geral da União, Sérgio Guedes-Reis, que recentemente realizou um estudo sobre os rendimentos de funcionários de alto escalão do serviço público.

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Dentro dessas carreiras, alguns servidores chegam a estar entre os 0,01% de maior renda no país, o que significa ganhar mais de R$ 200 mil por mês em 2025, de acordo com a PNAD Contínua do IBGE.

“Identifiquei cerca de 1,2 mil juízes, membros do Ministério Público e advogados públicos que receberam mais de R$ 2 milhões em 2025, já descontados os valores do abate-teto. Esse nível de renda os coloca entre os 0,01% mais ricos do Brasil”, afirma Guedes-Reis. Além disso, um juiz brasileiro não precisa estar no topo da carreira para ganhar mais que seus colegas em outros países desenvolvidos, incluindo membros de supremas cortes estrangeiras.

“No comparativo internacional, encontrei cerca de 7,4 mil juízes brasileiros que receberam mais de 500 mil dólares em PPC (Paridade do Poder de Compra, uma métrica que tenta calcular o poder de compra em diferentes países). Isso significa ganhar mais do que qualquer juiz dos dez países que analisei”, diz ele.

“Na verdade, até um juiz relativamente ‘pobre’ dentro da magistratura brasileira — isto é, situado no P25 remuneratório, no quartil inferior da carreira — já recebe o equivalente a 95% do salário de um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos e mais do que o máximo pago a juízes na Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Portugal”, explica ele.

“Entendo que esse cenário exige reformas profundas, pois esses dados mostram que o Estado, ao invés de reduzir a desigualdade, acaba por aumentá-la. Não há justificativa para o pagamento de salários tão elevados a segmentos que, devido à função que exercem, já possuem considerável poder”, opina Sérgio Guedes-Reis.

“Há, ao contrário, várias evidências de que nosso Judiciário não entrega um serviço de qualidade compatível com esse padrão salarial — e também não parece ter condições de, sozinho, tornar sua própria política salarial mais justa”, diz ele. “Há indicadores globais, como os do Rule of Law Index, que colocam o desempenho do sistema judicial brasileiro entre os piores do mundo em algumas dimensões”, afirma ele.

“No fator que talvez mais se aproxime da ideia elementar de ‘fazer justiça’ — a imparcialidade da justiça criminal —, temos um dos piores resultados: ficamos em antepenúltimo lugar entre 143 países, à frente apenas de El Salvador e Venezuela”, diz Sérgio Guedes-Reis.

O auditor lembra que a tentativa do Supremo Tribunal Federal de pôr fim aos penduricalhos no início deste ano resultou na legitimação de algumas das “parcelas extraordinárias” pagas aos juízes e membros do Ministério Público.

Por isso, argumenta Guedes-Reis, o país deveria buscar inspiração em medidas adotadas em outros países, como EUA, Chile e Reino Unido.

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