
Idosa sente desconforto no peito em ambiente domiciliar (Foto: Instagram)
Os meses mais frios do ano demandam atenção especial para a saúde do coração. De acordo com o cardiologista Fabrício da Silva, as temperaturas baixas provocam reações fisiológicas que sobrecarregam o sistema cardiovascular, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em indivíduos com histórico de risco.
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Com a chegada do frio, o médico destaca o fenômeno natural da vasoconstrição. Uma matéria anterior da coluna Claudia Meireles já havia explicado como esse mecanismo — em que o corpo contrai os vasos para conservar calor — pode causar desconfortos como inchaço nas pernas e cãibras.
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No entanto, os riscos vão além do desconforto em pessoas predispostas. “Quando a temperatura cai, os vasos sanguíneos se contraem para reduzir a perda de calor. Isso eleva a pressão arterial e faz com que o coração trabalhe mais para bombear o sangue. Em pessoas predispostas, isso pode levar a eventos graves, como infarto e AVC”, explica o médico.
Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) reforçam a necessidade de cuidados cardíacos no inverno. Segundo os dados, os casos de infarto podem aumentar em até 30% nos meses frios. Os episódios de AVC também sobem, com um crescimento de até 20%, especialmente quando as temperaturas ficam abaixo dos 14°C.
Diante desse cenário, Fabrício destaca que a vigilância deve começar logo nas primeiras horas do dia. O corpo passa por uma ativação natural ao acordar — fenômeno que, combinado ao frio, pode provocar aumentos significativos na pressão arterial. “Nas primeiras horas da manhã, há um aumento fisiológico da atividade cardiovascular. Em ambientes frios, o esforço do coração é ainda maior. Por isso, pacientes hipertensos ou com histórico de doenças cardíacas devem redobrar os cuidados nesse horário”, alerta.
O especialista também menciona a hipertensão termossensível — condição em que a pressão arterial sofre alterações mais expressivas com mudanças de temperatura. “Nesses casos, o acompanhamento médico regular e o monitoramento da pressão são essenciais para evitar complicações.”
Embora todos sintam os efeitos do frio, alguns grupos precisam de cuidados adicionais: idosos, fumantes, sedentários, hipertensos, diabéticos, pessoas com colesterol alto, obesidade ou histórico familiar de doenças cardiovasculares estão mais vulneráveis. “A prevenção é a melhor estratégia. Controlar a pressão arterial, manter níveis adequados de colesterol e glicose, parar de fumar e adotar hábitos saudáveis reduzem significativamente o risco cardiovascular ao longo da vida”, reforça.
Pacientes com insuficiência cardíaca, arritmias ou doença arterial coronariana devem seguir rigorosamente o tratamento e manter consultas regulares com seus médicos.
Mesmo que o frio desmotive a prática de atividades físicas, o cardiologista enfatiza que manter-se ativo é uma das formas mais eficazes de proteção, mas com cautela. O educador físico Filipe Feijo explica que uma rotina ativa melhora a circulação, controla a pressão arterial e fortalece o sistema cardiovascular. “Durante o inverno, é importante respeitar uma progressão adequada, realizando um aquecimento mais longo antes de atividades intensas”, orienta.
Exercícios intensos logo ao acordar ou em ambientes muito frios podem ser arriscados para pessoas não condicionadas ou com doenças cardiovasculares. “Quando possível, escolha horários mais quentes do dia ou faça atividades em locais fechados. O uso de roupas adequadas também é essencial para manter a temperatura corporal estável”, acrescenta.
Durante o inverno, é crucial estar atento aos sinais do corpo. Fabrício da Silva alerta que sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações ou sensação de desmaio — especialmente durante atividades físicas — não devem ser ignorados. “Esses sintomas podem indicar problemas cardiovasculares que exigem avaliação médica”, alerta.
Para passar pelos meses frios com segurança, o médico lista algumas medidas essenciais: manter o corpo aquecido, especialmente à noite e pela manhã; ter uma alimentação equilibrada; hidratar-se regularmente; seguir o tratamento medicamentoso prescrito; e realizar check-ups periódicos, principalmente para quem está em grupos de risco.







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