
Recifes de corais-de-fogo brasileiros em branqueamento (Foto: Instagram)
Ao longo da costa brasileira, encontram-se os únicos sistemas de recifes do Atlântico Sul. Entre as espécies mais comuns, destacam-se quatro tipos de corais-de-fogo do gênero Millepora, sendo três delas exclusivas do Brasil.
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O problema é que o aquecimento global tem impactado negativamente a sobrevivência desses organismos marinhos, essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas costeiros. Em abril, o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atualizaram a lista de espécies ameaçadas de extinção. As mudanças incluem:
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- Millepora braziliensis e Millepora laboreli agora estão “criticamente em perigo”, um nível acima de “extinção na natureza”;
- Millepora nitida foi reclassificada como “quase ameaçada”;
- Millepora alcicornis, também encontrada no Caribe, está “em perigo”.
A atualização foi baseada em um estudo abrangente liderado por pesquisadores brasileiros. A pesquisa revelou que eventos de branqueamento entre 2023 e 2024 reduziram significativamente as populações de recifes no Brasil. Os resultados foram publicados na revista Coral Reefs no ano passado.
“A situação dos corais-de-fogo é crítica, e a principal causa é o aquecimento global. Das quatro espécies no Brasil, duas estão quase extintas, uma está se aproximando dessa condição, e apenas uma está em situação menos preocupante, mas ainda não segura”, explica o oceanógrafo Miguel Mies, professor do Instituto Oceanográfico da USP e coautor do estudo.
O aquecimento global prejudica os corais ao elevar a temperatura das águas oceânicas. Os corais vivem em simbiose com microalgas, que, ao serem expostas ao calor, produzem toxinas que sobrecarregam os corais. A solução é expulsar as algas, mas isso interrompe o fornecimento de nutrientes e cor, levando ao branqueamento.
“Os eventos de estresse térmico estão se tornando mais intensos, frequentes e duradouros, tanto na costa brasileira quanto mundialmente. Esse é o principal fator que prejudica os corais-de-fogo”, afirma Guilherme Longo, professor de oceanografia da UFRN e participante do estudo, apoiado pelo Instituto Serrapilheira.
Segundo Longo, as previsões climáticas sugerem que ondas de calor oceânicas como as de 2023 e 2024 ocorrerão pelo menos duas vezes por década. “Se esses eventos já causaram esse declínio populacional, a tendência é que essas espécies fiquem ainda mais ameaçadas”, alerta o pesquisador.
É possível reverter o branqueamento dos corais, mas eventos sucessivos aumentam a chance de não sobrevivência das colônias, exigindo ação urgente. Mies menciona que ainda não há medidas comprovadas para mudar o cenário, mas especialistas consideram transferir as espécies ameaçadas para ambientes artificiais.
“Esse é um grande desafio para o Brasil, pois os recifes sustentam atividades como pesca, turismo, proteção costeira e até produção de medicamentos. Tudo depende de recifes vivos”, destaca Mies, coordenador da Rede de Pesquisas Coral Vivo.
Outras medidas incluem:
- Pactos internacionais para reduzir emissões de gases de efeito estufa;
- Melhorar a qualidade da água através de saneamento básico;
- Regras de turismo para proteger os corais de danos.
“Infelizmente, estamos mapeando os últimos sobreviventes e começando a pensar em estratégias experimentais para evitar a extinção dessas espécies”, lamenta Longo.







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