Criança desenha orixá em escola e PM é chamada; professora explica escolha

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Desenho de Iansã feito por aluna de 4 anos em atividade opcional na Emei Antônio Bento (Foto: Instagram)

O desenho da orixá Iansã, que levou a uma ação policial na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento em novembro de 2025, não fazia parte das atividades obrigatórias. Conforme relatado pela professora, a aluna de 4 anos decidiu desenhar a orixá ao se encantar com o vestido da ilustração do livro Ciranda em Aruanda, associando Iansã a uma princesa.

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O pai da menina, que é policial, acionou a polícia alegando que a escola estava ensinando conteúdo religioso à sua filha. Um dos policiais envolvidos na ocorrência afirmou que a diretora da escola tentou "impor sua ideologia" ao justificar a atividade.

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Após o caso vir à tona, o pai da aluna foi acusado de intolerância religiosa. O delegado responsável pela investigação concluiu que não houve "conduta penal relevante" por parte dos outros envolvidos. O Tribunal de Justiça Militar ainda deve decidir sobre a regularidade da ação policial.

A reportagem do Metrópoles teve acesso ao depoimento da professora à Polícia Civil. Ela relatou que, em setembro do ano anterior, leu o livro Ciranda em Aruanda para sua turma de 28 alunos. Após a leitura, as crianças puderam manusear o livro e "escolher livremente se queriam desenhar ou não".

“Aqueles que optaram por desenhar, também puderam escolher o que desenhar”, declarou a professora. A filha do policial escolheu não participar de outras atividades, como brincar com massa de modelar ou andar de bicicleta.

A professora explicou que a menina decidiu desenhar Iansã por associá-la a uma princesa e protetora da natureza, que usava um vestido que ela achava bonito. Os desenhos foram expostos em um mural na escola em setembro de 2025. O pai da criança só viu o mural em novembro e arrancou o desenho da filha.

No depoimento à polícia, a professora afirmou que a aula estava em conformidade com as leis federais sobre o ensino de história e cultura afro-brasileira, além de diretrizes antirracistas da Prefeitura de São Paulo.

Ela também mencionou que, em agosto, o conteúdo sobre cultura afro-brasileira foi apresentado às famílias dos alunos, e a mãe da menina não se opôs ao projeto pedagógico durante a reunião de pais.

“NUNCA FREQUENTOU UMBANDA”
A professora ainda declarou que vem de uma família católica, nunca frequentou um terreiro de Umbanda e “não se sente preparada para ensinar religiões”.

Após o incidente com policiais armados na escola, os alunos da Emei têm demonstrado medo ao verem policiais ou guardas municipais, perguntando se são “policiais do bem ou do mal”.

RELEMBRE O CASO

  • O caso do desenho da orixá foi inicialmente revelado pelo Metrópoles, gerando repercussão nacional.
  • Em 12 de novembro de 2025, o pai de uma estudante chamou a Polícia Militar por discordar de uma atividade da filha, de 4 anos.
  • O pai, também policial, afirmou que a filha estava sendo forçada a aprender sobre uma “religião africana” e desenhar uma orixá.
  • Policiais entraram na escola com armas pesadas, assustando as crianças, conforme relatos.
  • A atividade estava ligada à leitura do livro Ciranda em Aruanda, de Liu Olivina, que ilustra 10 orixás e descreve suas características.
  • A professora leu a história para os alunos, que então fizeram desenhos com base na leitura. A filha do policial desenhou Iansã, orixá dos ventos e tempestades.

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