
Defensor público investigado por denúncias de assédio sexual em Mato Grosso (Foto: Instagram)
A coluna obteve novos áudios de uma reunião entre Rogério Borges Freitas, defensor público de Mato Grosso, e uma servidora que o acusou de assédio sexual, ocorrendo ao longo de quase uma década. Após a denúncia, ele foi afastado por 60 dias.
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Durante o encontro, realizado em março deste ano para discutir conflitos em um setor da instituição, Rogério afirmou que a servidora tinha um "espírito faccioso" e comportamento "rebelde".
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“Você é uma pessoa maravilhosa, mas tem uma língua grande. Ninguém quer saber da sua vida. Sente-se, faça seu trabalho e não comente com ninguém”, disse o defensor. Ele orientou a servidora a aceitar as ordens da chefia sem resistência.
“Receba a ordem dele. Não tenha postura de adversidade ou rebeldia. Procure manter a submissão ali. Porque ali nós te acolhemos e abrimos as portas do setor. Tenho respeito e carinho por você, mas alguns comportamentos precisam ser ajustados”, afirmou.
A servidora relatou sofrimento psicológico no trabalho e que começou a fazer acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
“Estou sob medicação, em tratamento psiquiátrico e psicológico. O que vemos é que tudo é abafado. Só estou aqui porque preciso. Já pensei até em pular lá de cima com as coisas que ele falou”, disse.
Em certo momento, Rogério leu trechos do capítulo 12 do Evangelho de Mateus, dizendo que “a boca fala do que o coração está cheio” e mencionou que todos responderão por suas palavras “no dia do juízo”.
Ele perguntou repetidamente se a servidora poderia perdoar o superior que ela acusava. “A senhora vai perdoá-lo e ele vai pedir perdão para a senhora.”
ENTENDA
A investigação começou após a denúncia da mulher na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (MT), em maio deste ano.
A vítima relatou que os episódios começaram em janeiro de 2017, quando o defensor teria oferecido carona e se lançado sobre ela dentro de um carro sob o pretexto de ajudá-la com o cinto de segurança.
Em janeiro de 2018, Rogério teria convidado a servidora para uma atividade em seu gabinete e começou a ler trechos da Bíblia para ela e outro colega.
Já em julho de 2019, segundo a denúncia, o defensor elevou o tom de voz e humilhou a servidora exigindo que realizasse tarefas para as quais ela não tinha qualificação técnica.
OUTRO CASO
O caso, já divulgado pela coluna, teve novos desdobramentos após outra mulher, ex-servidora, registrar mais uma denúncia contra o servidor.
Segundo o relato, após um velório em 2023, o defensor teria circulado de carro com ela por cerca de uma hora antes de estacionar em um local escuro, onde, de acordo com a denúncia, Rogério segurou sua mão e tentou beijá-la à força.
Após resistir, suas atribuições teriam sido gradualmente esvaziadas. Ela relatou períodos sem demandas de trabalho e faltas indevidas em seus registros. Foi exonerada em fevereiro de 2024.
Em nota, a Polícia Civil confirmou que as investigações dos dois casos estão em andamento na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá. “Os fatos estão sendo apurados com celeridade e imparcialidade.”







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