
Fachada da urgência do Hospital Regional Justino Luz, em Picos (PI), onde ocorreu o parto sob investigação. (Foto: Instagram)
O Ministério Público do Piauí (MPPI) está investigando a morte de uma recém-nascida ocorrida no dia 3 de janeiro deste ano, logo após o nascimento, no Hospital Regional Justino Luz, em Picos (PI). A mãe, uma jovem de 22 anos, alega que a morte foi resultado de negligência médica.
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O procedimento administrativo examina uma possível falha nos serviços de obstetrícia do hospital. Segundo o documento obtido pela coluna, assinado pelo promotor de Justiça Paulo Maurício Gusmão, a médica responsável pelo parto não havia concluído sua residência na época e não permaneceu na sala durante todo o procedimento.
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De acordo com a denúncia, a mulher estava com 39 semanas de gestação e foi ao hospital após a ruptura da bolsa. Durante o trabalho de parto, que progredia normalmente até a troca de plantão, a médica denunciada assumiu o caso. A mãe afirma que, mesmo com dilatação total e exaustão, ela e outros profissionais pediram por uma cesárea, mas o pedido foi negado.
A denúncia relata que a médica deixou a sala de parto em vários momentos. Horas depois, a criança nasceu em estado grave e faleceu cerca de cinco minutos após o nascimento. A médica teria retornado apenas para suturar a paciente, sem mais contato.
Na manhã seguinte, a mãe solicitou avaliação médica para ser liberada e participar do velório da filha, mas foi informada que a médica só a examinaria às 14h. A alta só foi concedida após intervenção da assistente social.
A jovem também aponta discrepâncias nos horários registrados no prontuário médico e possíveis alterações na documentação hospitalar. A médica ainda estava cursando residência em ginecologia e obstetrícia e não tinha registro no CRM na data do parto. A família questiona se ela poderia atuar sem supervisão.
A RESPOSTA DO HOSPITAL
O hospital informou ao MPPI que a escolha da via de parto é um ato médico privativo e que a paciente foi admitida com evolução obstétrica normal. A gerência destacou que a médica estava disponível para avaliação imediata, não havendo abandono assistencial.
De acordo com o hospital, a médica estava no último mês do terceiro ano de residência e tinha habilitação legal para atuar. O CRM informou que uma sindicância foi aberta para investigar o caso.
O CRM, o Hospital e a Polícia Civil não responderam até a última atualização desta reportagem. A jovem alega que a investigação interna do hospital é parcial, devido a vínculos do diretor técnico com a família da médica.
DENÚNCIA CONTRA DELEGADO
A jovem também denuncia que, após registrar boletim de ocorrência, nenhum inquérito foi aberto por mais de três meses. O delegado responsável seria irmão da médica investigada, e a família solicitou a designação de outra autoridade para conduzir as investigações.
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