Nova lista de fauna ameaçada inclui arara-azul, bugio-preto e tamanduaí no Brasil

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Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) na palmeira onde se alimenta, espécie agora classificada como vulnerável. (Foto: Instagram)

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) atualizou a lista de fauna ameaçada, um documento que reúne espécies brasileiras em risco de extinção e orienta políticas públicas para a conservação da biodiversidade.

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A nova portaria, publicada em 18 de junho de 2026, incorpora os resultados das avaliações feitas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável por analisar periodicamente o estado de conservação da fauna brasileira.

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A atualização trouxe mudanças significativas. No total, 180 espécies ou subespécies foram adicionadas à lista, enquanto 156 deixaram de ser classificadas como ameaçadas. Isso reflete tanto novas pressões ambientais quanto os resultados de ações de conservação ao longo dos anos. O documento agora lista 790 espécies ameaçadas e nove espécies oficialmente extintas no país.

Entre as espécies que passaram a integrar a lista estão a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus), agora classificadas como vulneráveis (VU). Segundo o ICMBio, essas reclassificações são resultado de novas avaliações científicas sobre a situação dessas populações na natureza.

A atualização segue um processo técnico e científico. De acordo com Braulio Dias, diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, a lista é constantemente revisada, pois o risco de extinção das espécies muda ao longo do tempo. Fatores como desmatamento, queimadas, poluição, caça e pesca ilegal podem aumentar esse risco, enquanto unidades de conservação e programas de recuperação podem melhorar o estado de conservação.

As propostas de atualização são elaboradas pelo ICMBio e passam por consultas a centenas de especialistas. Posteriormente, são analisadas pela Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), que recebe contribuições da sociedade e de órgãos públicos antes da aprovação final pelo Ministério do Meio Ambiente.

“Esse é o ponto de partida para qualquer política pública de conservação de espécies ameaçadas: é preciso saber quais são elas”, afirma Dias. Ele também destaca que a Mata Atlântica continua sendo o bioma com o maior número de espécies ameaçadas no país, devido à intensa ocupação urbana e industrial ao longo de décadas.

O Cerrado segue em segundo lugar, sofrendo pressão pela expansão agrícola. Já a Amazônia, apesar das ameaças, ainda tem menos espécies ameaçadas em comparação com outros biomas brasileiros.

A lista orienta políticas públicas e conservação, classificando os animais em três categorias: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo de extinção. Essa classificação orienta a criação de unidades de conservação, programas de recuperação de espécies, processos de licenciamento ambiental, definição de áreas prioritárias para preservação e investimentos em pesquisas científicas.

Mauro Pires, presidente do ICMBio, ressalta que poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz atualmente.

“Esse conhecimento, produzido continuamente pelo ICMBio, em parceria com a comunidade científica, é essencial para que o país tome decisões qualificadas sobre conservação, desenvolvimento e uso sustentável dos recursos naturais. Conhecer o estado de conservação das espécies é uma condição indispensável à nossa missão”, enfatiza.

Na prática, a lista também influencia decisões sobre obras de infraestrutura, expansão agrícola, mineração e outros empreendimentos que possam afetar habitats naturais. As informações são utilizadas durante os processos de licenciamento ambiental para avaliar possíveis impactos sobre espécies ameaçadas e definir medidas de mitigação quando necessário.

“O desafio do governo é conciliar a promoção de atividades de desenvolvimento para atingir objetivos econômicos e sociais, sem causar um prejuízo sério ao meio ambiente”, explica Dias, do MMA. Além disso, o documento orienta programas nacionais de conservação coordenados pelo ICMBio e pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fortalece acordos internacionais para proteção de espécies migratórias e ajuda a direcionar investimentos em pesquisas científicas.

Para o MMA, manter a lista da fauna ameaçada atualizada é uma ferramenta essencial para equilibrar desenvolvimento econômico, uso sustentável dos recursos naturais e preservação da biodiversidade brasileira.

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