
Torcida em êxtase: o gol que fica marcado na memória (Foto: Instagram)
Todo torcedor tem aquele jogo ou gol marcante que parece ter se fixado na memória. Seja acompanhando a seleção, o time do coração ou uma final inesquecível, muitos se lembram exatamente onde estavam, quem os acompanhava e o que sentiram naquele momento. Mas o que faz essas memórias permanecerem tão vívidas ao longo dos anos?
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De acordo com o psicólogo Leandro Freitas Oliveira, professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), a emoção é um dos principais fatores para a consolidação de uma memória.
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“Eventos com grande carga emocional tendem a ser priorizados pelo cérebro. Assim, as pessoas, o local e os acontecimentos daquele momento são registrados de forma mais intensa do que eventos cotidianos”, esclarece.
O neurocientista Tiago Bortolini, pesquisador com apoio do IDOR Ciência Pioneira, aponta que essas memórias costumam surgir quando três elementos estão presentes: surpresa, emoção intensa e significado pessoal.
“Para um torcedor, um gol histórico é mais do que um evento esportivo. Ele está conectado à identidade, pertencimento, história familiar, cidade e rivalidades. Por isso, a memória vem acompanhada de detalhes como ‘estava na sala com meu pai’ ou ‘assisti ao jogo em um bar com amigos’”, explica o especialista.
O CÉREBRO ENTRA EM ESTADO DE ALERTA
Além da emoção, o próprio corpo ajuda a fortalecer essas memórias. Oliveira menciona que momentos marcantes desencadeiam a liberação de substâncias como adrenalina e noradrenalina, que aumentam o estado de alerta e melhoram a comunicação entre áreas do cérebro responsáveis pelas emoções e memória, como a amígdala e o hipocampo.
“Esse mecanismo fortalece a consolidação da memória, fazendo com que ela permaneça por muito mais tempo”, destaca.
De acordo com Bortolini, durante um lance decisivo, o torcedor acompanha cada movimento com grande expectativa. Essa atenção intensa faz com que diferentes sistemas cerebrais trabalhem simultaneamente.
“Um gol decisivo envolve percepção visual, sons, emoções, respostas corporais, linguagem, narrativa e identidade social. Quanto mais sistemas participam da experiência, mais rica tende a ser a memória”, afirma.
POR QUE LEMBRAMOS DO JOGO E ESQUECEMOS DIAS COMUNS?
Enquanto um gol histórico pode ser lembrado por décadas, muitos eventos do dia a dia desaparecem da memória em poucos dias. Isso acontece porque experiências repetitivas têm pouca novidade e baixa carga emocional.
“Um almoço comum ou um caminho rotineiro dificilmente são priorizados pelo cérebro. Já um gol decisivo reúne surpresa, emoção, relevância social e expectativa. Ele se transforma em um marco na história daquele torcedor”, explica Bortolini.
Outro fator que mantém essas memórias vivas é que, após a partida, o lance é frequentemente revisto, comentado entre amigos, compartilhado nas redes sociais e relembrado em conversas familiares.
“Cada vez que essa memória é reativada, alguns elementos podem até ser reconstruídos, mas ela também se fortalece”, afirma o pesquisador.
Segundo Bortolini, o futebol tem uma característica que potencializa esse processo. “O torcedor não sente apenas que comemorou um gol. Ele sente que ‘nós comemoramos’. Esse sentimento de pertencimento faz com que a memória deixe de ser apenas individual e passe a integrar uma história compartilhada por uma comunidade inteira”, ensina.







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