
Torcedores em Dhaka vibram pela seleção brasileira durante partida da Copa do Mundo. (Foto: Instagram)
Bangladesh é frequentemente lembrado por desastres naturais, pobreza e acidentes industriais. Contudo, há uma faceta menos conhecida do país asiático: sua profunda paixão pelo futebol brasileiro e argentino. Esse fenômeno cultural é explorado no documentário Dhaka Vibra, dirigido por Rafael Bergamaschi.
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O documentário, que foi lançado em 5 de junho deste ano e conta com a produção de André Singer, está disponível no Globoplay. Com 50 minutos de duração, o filme mostra como a rivalidade entre Brasil e Argentina se estende até Bangladesh durante a Copa do Mundo.
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Bergamaschi descreve a paixão dos bangaleses pelas seleções de Brasil e Argentina como visceral. “É uma paixão que se manifesta fisicamente, na maneira como celebram nas ruas, gritam, cantam… também é comunitária. Durante a Copa do Mundo, vilarejos se unem para criar bandeiras gigantescas; é um grande festival que domina o país a cada quatro anos”, explica.
A ideia de filmar em Bangladesh surgiu enquanto o cineasta vivia em Nova York e teve contato com taxistas asiáticos. Para realizar o projeto, ele passou 35 dias no país, durante toda a Copa do Mundo de 2022.
“O que mais me surpreendeu foi o choque cultural que não senti ao chegar. Esperava um país muito diferente do Brasil, mas me senti em casa rapidamente. O clima, o acolhimento, até mesmo o caos urbano e os problemas de desigualdade social… somos muito parecidos, embora nossas culturas sejam tão distintas”, destaca Bergamaschi. “É um filme sobre intercâmbio cultural, sobre conhecer o outro com calma, sem pressa, olho no olho.”
Dhaka Vibra também revela como, em um Bangladesh de maioria muçulmana e normas sociais conservadoras, as mulheres têm uma relação intensa com o futebol.
“Esperava encontrar mulheres muito isoladas, mas, ainda que haja restrições, elas também participam da celebração. Elas abraçam as cores do Brasil e da Argentina e, especialmente as mais jovens, compartilham espaços públicos com os homens para assistir aos jogos”, relata o cineasta.
O documentário Dhaka Vibra será exibido no sábado (4/6) no Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste de São Paulo, e no dia 18 de julho, no Museu da Imigração, na zona leste. Os eventos são gratuitos e começam às 15h. Haverá também rodas de conversa com Rafael Bergamaschi e convidados.
“A paixão de Bangladesh pelo futebol está ganhando destaque nas redes sociais. É importante que isso não se torne uma visão reducionista, associando Bangladesh apenas a isso. É um país culturalmente rico, que merece nossa atenção e curiosidade”, afirma o diretor.
O DIRETOR
Rafael Bergamaschi é um documentarista nascido em São Paulo, atualmente radicado no Rio de Janeiro. Ele é cofundador da Saída Filmes (Brasil/Reino Unido), produtora de não-ficção com projetos em andamento. Além de Dhaka Vibra (2026), dirigiu Avalanche Bob (2016) e Liturgia do Prazer (2013).
Bergamaschi trabalhou como editor nos filmes Tu Me Manques, com Oscar Martínez e Rossy de Palma, e Revolution Rent, lançado na HBO. O cineasta é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, e fez pós-graduação em cinema documentário na The New School, em Nova York.
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