Ansiedade e isolamento em alunos: sinais de alerta para a saúde mental

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Estudante ergue a mão em sala de aula, sinalizando atenção e cuidado na rotina escolar (Foto: Instagram)

No ambiente escolar, a ansiedade, o isolamento, a irritabilidade, a dificuldade de concentração e as mudanças bruscas de comportamento têm se tornado cada vez mais comuns. Embora algumas dessas reações sejam naturais no desenvolvimento de crianças e adolescentes, especialistas alertam que certos sinais podem indicar sofrimento emocional e necessitam de atenção.

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Para promover a discussão sobre o tema, educadores criaram em 2025 a Comissão Nacional de Saúde Mental nas Escolas. A iniciativa reúne representantes de instituições de ensino para desenvolver diretrizes e boas práticas visando o cuidado de estudantes, professores, colaboradores e famílias.

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Em junho deste ano, foi criada a comissão Centro-Oeste, que abrange o Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. A professora Dulcineia Marques, integrante da comissão nacional, assumiu a presidência. Ela ressalta a importância de incluir o cuidado com a saúde mental na rotina escolar.

“A saúde mental não deve ser abordada apenas quando surge um problema, pois é algo que se constrói diariamente. Assim como desenvolvemos habilidades acadêmicas ao longo dos anos, também desenvolvemos competências emocionais no dia a dia.”

COMO DIFERENCIAR O ESTRESSE DE UM SINAL DE ALERTA
De acordo com a psicóloga clínica Kassiana Pozzatti, especialista em Educação, sentir cansaço após um semestre intenso, ansiedade antes de provas ou frustração diante de dificuldades são parte da vida escolar e não caracterizam, por si só, um transtorno mental.

O alerta surge quando o sofrimento persiste e começa a afetar o desempenho escolar, as relações familiares, a convivência social e a qualidade de vida.

“A intensidade, a persistência dos sintomas e, principalmente, o impacto sobre a vida acadêmica, familiar, social e emocional são os principais critérios para diferenciar um desgaste esperado de um quadro que merece avaliação profissional”, explica.

A especialista destaca que também é essencial observar a capacidade de recuperação do adolescente. Após um momento estressante, espera-se que ele consiga descansar e voltar à rotina. Quando isso não ocorre por semanas, é recomendada uma avaliação especializada.

MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO NÃO DEVEM SER IGNORADAS
Kassiana explica que nenhum comportamento isolado confirma um problema de saúde mental. O mais importante é observar a frequência, a duração e o impacto no cotidiano. Entre os principais sinais estão:

  1. Isolamento social;
  2. Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  3. Alterações importantes no sono ou no apetite;
  4. Queda no rendimento escolar;
  5. Irritabilidade ou tristeza persistentes;
  6. Ansiedade intensa diante de situações cotidianas;
  7. Dores físicas recorrentes sem causa médica identificada;
  8. Dificuldade para realizar tarefas compatíveis com a idade.

O uso excessivo das telas também requer atenção quando substitui o convívio presencial e se torna uma forma de isolamento.

ESCOLA, FAMÍLIA E PROFISSIONAIS PRECISAM ATUAR JUNTOS
A psicóloga ressalta que a escola é frequentemente um dos primeiros locais a notar mudanças de comportamento, mas não cabe à instituição fazer diagnósticos. O papel é acolher, comunicar à família e orientar na busca por atendimento especializado.

Ela enfatiza que o acompanhamento é mais eficaz quando escola, família e profissionais de saúde trabalham de forma integrada, favorecendo tanto o tratamento quanto o desenvolvimento do estudante.

A criação da Comissão Centro-Oeste pela Saúde Mental nas Escolas busca fortalecer essa rede de cuidado, promovendo a troca de experiências entre instituições de ensino e a construção de protocolos para orientar o acolhimento de estudantes e educadores. “Nenhuma escola consegue enfrentar esse desafio sozinha”, enfatiza Dulcinéia.

INFORMAÇÃO TAMBÉM É PREVENÇÃO
Para Kassiana, abordar a saúde mental nas escolas não significa transformar qualquer dificuldade em doença, mas ensinar crianças e adolescentes a reconhecer emoções, desenvolver estratégias para lidar com frustrações e buscar ajuda quando necessário.

Hábitos como dormir bem, praticar atividade física, manter momentos de lazer, fortalecer os vínculos familiares e usar as telas com equilíbrio também ajudam a proteger a saúde mental ao longo do desenvolvimento.

A dica da especialista é procurar orientação profissional quando crianças ou adolescentes apresentarem sinais persistentes que prejudiquem a rotina. O mais importante é observar se os sintomas persistem, aumentam de intensidade e passam a comprometer a vida escolar, familiar e social do estudante.

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