Crise em Cuba leva a mudanças econômicas significativas

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Bandeira de Cuba simboliza revolução e reformas econômicas (Foto: Instagram)

Em 1968, durante uma manhã em Havana, enquanto ia para o colégio, tive uma revelação marcante sobre o impacto de um processo revolucionário radical. No caminho, passei pela Armarinho da Fina, onde costumávamos comprar materiais escolares a preços acessíveis. Naquele dia, pretendia comprar um lápis, mas, para minha surpresa, o balcão estava fechado. Ao perguntar a Serafín, marido da Sra. Fina, ele explicou que a loja havia sido confiscada pelo governo como parte de uma ofensiva revolucionária, tornando-se propriedade do Estado.

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A pequena loja de Fina, assim como outros negócios familiares, foi considerada uma forma de exploração capitalista e uma relíquia do passado. Na época, não questionei quem Serafín e Fina exploravam. No entanto, logo percebi que seria mais difícil adquirir bens simples, como lápis ou refrigerantes, devido ao fechamento de pequenos negócios.

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Vinte e cinco anos depois, Cuba permitiu a abertura de pequenos negócios privados, embora sob controle rigoroso. Mesmo assim, essas iniciativas eram vistas com desconfiança e limitadas por diversas restrições. A legalização da posse de moeda estrangeira, antes perseguida, foi um exemplo de mudança necessária para sobreviver à crise.

Nos últimos 25 anos, Cuba passou por uma crise sistêmica, marcada por controles rigorosos e desconfiança oficial. O governo temia que alguns acumulassem riquezas, pois sabia-se que o dinheiro podia influenciar políticas. Reformas econômicas, embora pequenas, começaram a desmantelar o tecido social coeso criado em 1968.

Nesse mesmo período, a sociedade cubana se dividiu: enquanto alguns prosperavam, a maioria enfrentava empobrecimento. Em 2026, cortes de energia, escassez de alimentos e medicamentos, e a perda de esperança tornaram-se comuns. A emigração tornou-se a principal saída, com quase dois milhões de pessoas deixando o país em cinco anos.

Recentemente, Cuba anunciou um pacote de medidas para resolver problemas socioeconômicos, permitindo a abertura de fábricas capitalistas e bancos. Até mesmo pessoas como Fina e Serafín poderiam participar, se ainda estivessem vivas. Meu pai, que foi preso por tráfico de moeda em 1985, também poderia ter aproveitado essa oportunidade.

Foi preciso que Cuba mergulhasse na mais profunda crise para que o inaceitável se tornasse conveniente. A pressão dos EUA, incluindo ameaças militares, forçou Cuba a adotar uma economia de mercado. O governo, no entanto, continua a controlar rigorosamente o país, mesmo com a nova política econômica.

O novo cenário econômico de Cuba levanta muitas questões preocupantes. Quem confiará em um governo que fomentou a desconfiança? Quem investirá em Cuba agora? E quem, dentro do poder, se beneficiará da provável desordem nos investimentos? Essas perguntas são apenas algumas das muitas que surgem nesse contexto.

(Transcrito do El País)

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