Advogado do DF preso em Foz do Iguaçu cursava medicina no Paraguai

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Cláudio Dias Lourenço em evento de medicina no Paraguai, onde se matriculou durante a fuga. (Foto: Instagram)

O advogado e ex-policial militar do Distrito Federal, Cláudio Dias Lourenço, foi detido na última terça-feira (7/7) em Foz do Iguaçu (PR) após cruzar a fronteira em uma tentativa de fuga que revelou um plano ainda mais perturbador. Investigação exclusiva da coluna Na Mira descobriu que Lourenço estava matriculado em uma faculdade de medicina no Paraguai, onde já assistia às aulas.

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O intuito do acusado era mudar de vida, buscando uma nova carreira e deixando para trás os crimes de estupro cometidos no DF. Porém, a entrada no ambiente acadêmico internacional não foi a única estratégia de Lourenço para diversificar suas atividades enquanto tentava recomeçar.

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No Distrito Federal, ele iniciou atividades no mercado imobiliário, chegando a criar um perfil no Instagram como corretor de imóveis. A coluna verificou que seu registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI-DF) está atualmente inativo.

PRISÃO NO PARANÁ
A prisão do investigado foi resultado de uma operação conjunta entre as polícias civis do Distrito Federal e do Paraná. Com a intensificação das investigações em Brasília, após a Seção de Atendimento à Mulher (SAM) da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) emitir um mandado de prisão preventiva, Lourenço fugiu em direção à Tríplice Fronteira.

Mesmo em fuga, o ciclo de violência não parou. No Paraná, o advogado repetiu o mesmo modus operandi usado no DF: abordou uma jovem em local público, ganhou sua confiança e a levou a um motel. Ele foi preso em flagrante pelos policiais no local. A Justiça do Paraná transformou a prisão em flagrante em preventiva, executando a ordem de prisão emitida em Brasília.

MODUS OPERANDI
De acordo com os agentes da SAM, Lourenço tinha um padrão claro. Ele conquistava a confiança de mulheres jovens em locais movimentados e as convidava para passeios. Em um dos casos no DF, ele levou duas jovens a um motel sob o pretexto de que o local tinha piscina, dopou-as com bebidas alcoólicas, abusou de uma delas e tentou violentar a outra.

A queda do advogado começou a se desenhar após um incidente na 26ª DP (Samambaia Norte), onde ele alegou ter sido agredido por policiais enquanto atendia um cliente. Uma investigação mais detalhada sobre Cláudio Dias Lourenço revelou uma verdadeira "caixa de Pandora".

O histórico criminal de Lourenço inclui 14 inquéritos policiais, 9 termos circunstanciados (TCs) e duas condenações judiciais por estupro. Sua trajetória criminosa remonta ao início dos anos 2000, quando ele era soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), de onde foi expulso posteriormente devido à sua conduta.

Linha do tempo: a escalada da violência de Cláudio Lourenço

  • 2001: Primeira denúncia formal. Ele rendeu uma mulher com arma de fogo em um ponto de ônibus e a estuprou próximo ao STJ.
  • 2002: Relatos de extrema crueldade contra garotas de programa no Conic (vítimas amarradas e humilhadas). Abusos ocorreram em matagais na Asa Norte e Lago Paranoá.
  • 2005: Novos registros de violência sexual em áreas isoladas do Park Way e da L4 Norte.
  • 2020: Estupro no Guará. Identificado por câmeras de segurança e rastreamento de compras em farmácia, resultando em condenação.
  • 2025: Ocorrência enquadrada na Lei Maria da Penha (32ª DP) por perseguição, violência psicológica e cárcere privado.

Apesar do histórico de violência, Lourenço conseguiu posteriormente obter o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Além dos crimes sexuais, ele tem passagens por furto (2009), falsidade ideológica (2017) e estelionato (2020).

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