Genoma de lagartixa-leopardo ajuda a entender avanço do câncer e metástase

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Lagartixa-leopardo “lemon frost” com nódulos esbranquiçados de iridoforoma indicados pelas setas. (Foto: Instagram)

Uma variante da lagartixa-leopardo, conhecida como "lemon frost", pode auxiliar cientistas a desvendar como o câncer se origina e se propaga no corpo.

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Em um estudo divulgado nesta quarta-feira (15/7) na revista BMC Biology, pesquisadores identificaram mudanças genéticas ligadas ao surgimento de tumores, uma descoberta que pode beneficiar futuras investigações sobre a doença.

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O interesse dos cientistas por essa espécie se deve ao fato de mais de 80% das lagartixas "lemon frost" desenvolverem iridoforomas, um tipo de tumor que aparece em células de pigmento.

Muitas vezes, as lesões retornam mesmo após a remoção e podem se espalhar para outras regiões do corpo. Para explorar esse fenômeno, a equipe sequenciou o genoma de três lagartixas, comparando o DNA dos tumores com o de tecidos saudáveis dos mesmos animais. A análise revelou alterações em genes e regiões do material genético associadas ao crescimento e à progressão dos tumores.

A lagartixa-leopardo (Eublepharis macularius) é um réptil popularmente criado como pet. A variante "lemon frost" surgiu de uma mutação genética espontânea e foi mantida por cruzamentos seletivos.

Além de uma coloração mais clara, olhos esbranquiçados e aparência prateada, esses animais têm uma maior quantidade de células pigmentares chamadas iridóforos, onde os tumores geralmente se desenvolvem.

Os pesquisadores explicam que os tumores inicialmente aparecem na pele, formando nódulos esbranquiçados. Embora possam ser removidos cirurgicamente, eles frequentemente retornam e, em muitos casos, causam metástases. O fígado é o órgão mais comumente afetado por essa disseminação.

O sequenciamento do DNA, realizado com alta cobertura para maior precisão, identificou alterações genéticas recorrentes nos tumores das três lagartixas estudadas.

Os principais achados incluem:

  • Mais de 80% das lagartixas "lemon frost" desenvolvem iridoforomas.
  • Os tumores podem reaparecer mesmo após cirurgia.
  • Em muitos casos, o câncer se espalha para outros órgãos, principalmente o fígado.
  • Os pesquisadores encontraram alterações genéticas relacionadas ao crescimento e à disseminação dos tumores.
  • Também foram identificadas mudanças em vias biológicas ligadas ao movimento das células, característica associada ao processo de metástase.
  • Os resultados indicam que a espécie pode servir como um novo modelo para estudar a progressão do câncer.

Segundo os autores, as alterações observadas sugerem que diferentes mecanismos atuam em conjunto para favorecer o desenvolvimento e a disseminação da doença.

Os autores destacam que a maioria das pesquisas sobre câncer utiliza modelos tradicionais, como camundongos, peixes-zebra e moscas-das-frutas.

A lagartixa "lemon frost", por outro lado, desenvolve tumores espontaneamente e apresenta metástases de forma natural, característica considerada rara entre os modelos experimentais.

Para os pesquisadores, isso torna a espécie uma ferramenta promissora para investigar como o câncer evolui ao longo do tempo e identificar mecanismos que também possam estar presentes em outros vertebrados, incluindo humanos. Apesar dos resultados, novos estudos serão necessários para confirmar as descobertas e aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos.

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