Padre Delson Zacarias dos Santos, foragido por abusos no DF, é preso em Sergipe

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Padre Delson Zacarias, condenado por abuso de menores, se entrega em Aracaju (Foto: Instagram)

O padre Delson Zacarias dos Santos, condenado pela Justiça do Distrito Federal por abusos sexuais em série, foi detido em Aracaju (SE). A coluna apurou que o religioso se entregou às autoridades na quinta-feira (9/7).

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Delson estava foragido desde 2022, quando recebeu uma sentença de 44 anos de prisão e oito meses de reclusão. Ele era acusado de estupro de vulnerável, com ocorrências entre 2014 e 2021. Após a divulgação do caso pelo Metrópoles, o sacerdote fugiu do DF.

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Devido ao envolvimento de menores, as informações do caso são sigilosas e não podem ser divulgadas pela polícia.

As denúncias levaram a Arquidiocese de Brasília a afastá-lo de suas funções. Em 2022, o Metrópoles revelou, com exclusividade, a abertura do inquérito contra o sacerdote, que já atuou em paróquias no Riacho Fundo I, Sobradinho e Lago Sul, além de lecionar no seminário de Brasília e na Fateo.

A violência sexual contra um jovem, cujo nome não foi revelado para proteger sua identidade, começou quando ele tinha apenas 13 anos. Em contato com a reportagem, ele descreveu os seis anos e meio de abusos quase semanais que sofreu.

O assédio teria começado na casa paroquial, antes de um casamento, em 2014: “Você se masturba ou assiste pornografia?”, perguntou o padre ao adolescente. O jovem negou, mas o sacerdote insistiu no assédio.

Na ocasião, o padre pediu que o jovem se levantasse e abaixasse as calças para ver seu órgão genital. “Eu resisti e ele me disse para não ter medo, que ele não faria nada. Fiquei assustado, mas confiei. Abaixei as calças e ele tocou no meu pênis”, relata.

“Ele notou que fiquei em choque e pediu que eu levantasse as calças. Depois, voltei a me sentar no sofá. Ele, então, me pediu desculpas e disse que eu não precisava contar nada para os meus pais e que aquilo não aconteceria novamente”, revela.

Apesar da pouca idade, o rapaz sabia que o que havia acontecido era errado. “Tinha consciência de que se tratava de abuso. Por outro lado, acreditei que aquilo não aconteceria novamente e vi sinceridade no padre”, relembra.

Duas semanas depois, os assédios voltaram a ocorrer. “Ele me convidou para o quarto de visitas e pediu que eu me deitasse na cama, para que me fizesse uma massagem. Ele me prometeu que não faria nada. Confiei e deixei. Tirei minha camisa e deitei. O Pe. Zacarias pegou o creme, passou em minhas costas e começou a massagem, em instantes peguei no sono”, relembra.

“Quando acordei, estava sem meu short e ele estava alisando minhas nádegas e pernas. Me dei conta e pedi para me vestir. Ele disse para eu tomar banho e ‘brincou’ dizendo que ia tomar banho comigo, mas eu disse que não. Depois me deu uma toalha limpa e sabonete lacrado e disse mais ou menos assim: ‘Vou tomar banho com você, hein? Estou brincando’. Após o banho me vesti e fui para casa, com um pedido dele: que não contasse a ninguém o que tinha acontecido.”

Segundo a vítima, próximo ao Natal de 2014, ele procurou o religioso para se confessar, mas teve o sacramento negado. “Ele foi bem sincero comigo, dizendo que não poderia me confessar pois ele estava realizando práticas de abuso comigo”, relembra.

“PAPO NA CAMA”
Padre Zacarias é conhecido por ser bastante atuante com o público jovem. A convivência com ele sempre aparentou ser amistosa, para quem via de fora. “Nos momentos em que estávamos a sós, ele aproveitava para fazer as ditas massagens. Certo dia, ele intitulou essa prática de ‘papo bed’, ou seja, papo na cama. E me convidava sempre: ‘Vamos para o papo bed?”, conta o rapaz.

“Eu nunca estive confortável com tais atos, mas sempre me senti coagido a fazer aquilo. Por diversas vezes, eu dava um basta e pedia que a sessão de massagens e abusos parassem, o que na maioria das vezes era respeitado sem muitas insistências”, conta o rapaz.

Segundo o jovem, depois de um tempo, as massagens evoluíram para a masturbação. “Ele me colocava na cama, me molestava, abusava e fazia sexo oral para me excitar, o que era inevitável. Em certos momentos, picos de raiva subiam sobre mim, o que me faziam elevar meu tom de voz. Eu falava que não queria mais aquilo”, recorda.

Ao Metrópoles, a vítima disse que sempre viu o sacerdote como uma “boa pessoa”. Que era presenteado com frequência e que encarava o religioso como um pai. “Por muitas vezes ele dizia que me tinha como um filho. Quando eu ficava irritado com os abusos e falava bem sério com ele, ele reconhecia sua falha e sempre me prometia que iria parar, mas sempre voltava a fazer”, lamenta.

Os abusos ficaram ainda mais intensos em meados de abril de 2017, quando aconteceu pela primeira vez a conjunção carnal. “O Pe. Zacarias propôs o ‘papo bed’ e começaram as sessões de abusos. Fiquei sem reação quando ele tirou as calças. Senti meu coração bater forte. Ele forçou a penetração, sem preservativos. Aquilo doía muito”, relembra o rapaz.

“No início eu pedia para parar, depois de um tempo não tinha mais voz para conter as ações e tudo o que eu fazia era deixar a consciência dele trabalhar e perceber o mau que estava fazendo. Eu deixava, não porque gostava, mas porque aceitar e ficar em silêncio era menos dolorido do que fazer força para dificultar o ato”, relembra o rapaz.

A vítima conta que o padre chegou a tirar fotos dele sem roupa. “Eu pegava no sono nu e acordava com barulhos do celular tirando fotos, outras vezes passando o pênis no meu corpo, beijando meus lábios e me depilando. Ele me fez ejacular diversas vezes, e preservava meu esperma em um paninho de limpar óculos e meus pelos em um pote”, revela.

Apesar dos acontecimentos, o jovem diz que nunca teve dúvidas sobre a sua orientação sexual. Que chegou a namorar meninas em algumas ocasiões. “Já que a sua namorada não está aqui para você pegar ela, eu vou te pegar”, teria dito o padre.

Já no início de 2021, um novo ataque voltou a ocorrer. “Em um sábado, ele começou a fazer massagens e pensei que nada fosse acontecer, até que tudo começou a se repetir. Ainda com roupa, ele passava a bunda dele sob meu pênis e insinuava uma penetração, tirou sua calça e continuou, mas quando tentou tirar minha calça eu me levantei. Ele me virou de bruços, tirou minha calça, eu coloquei o travesseiro sob minha cabeça e deixei que a consciência dele agisse”, narra.

Depois desse acontecimento, o jovem se afastou da presença do sacerdote e decidiu denunciá-lo à polícia.

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