
Celebridades na mira da Anvisa por promoção de remédios paraguaios (Foto: Instagram)
Influenciadores, ex-BBBs, cantores e atores estão no centro de uma polêmica após uma reportagem da Folha de S.Paulo revelar que várias celebridades promoveram, em suas redes sociais, laboratórios paraguaios e canetas emagrecedoras sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Embora as postagens não oferecessem vendas diretas, especialistas consultados pelo jornal indicam que o conteúdo pode ser visto como publicidade indireta de medicamentos proibidos no Brasil.
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Entre os famosos mencionados estão Deborah Secco, Nicole Bahls, Gracyanne Barbosa, MC Daniel, Lucas Lucco, Juju Salimeni, Elieser Ambrosio, Kamilla Salgado, Léo Stronda e Emilly Araújo. A reportagem aponta que eles participaram de eventos em Ciudad del Este, no Paraguai, organizados por laboratórios que comercializam os medicamentos Lipoless, Lipoland e Tirzec, semelhantes à tirzepatida, usada no Mounjaro.
Segundo a Anvisa, conteúdos direcionados ao público brasileiro sobre produtos sem registro no país podem configurar infração sanitária. A agência destacou que tal divulgação está sujeita à legislação nacional.
A advogada Anna Goulart, especialista em Direito da Saúde, comentou à Folha que, mesmo que esses medicamentos fossem regularizados no Brasil, ainda assim não poderiam ser promovidos por influenciadores, pois são sujeitos à prescrição médica.
“Essas publicações têm um efeito promocional e incentivam a importação do produto do Paraguai, mesmo que de forma implícita. Como não têm registro na Anvisa e exigem receita, isso é proibido e considerado ilícito”, explicou.
Outro ponto abordado na reportagem é que a publicidade não necessariamente depende de pagamento. Para o advogado Stefano Ribeiro Ferri, benefícios como passagens ou hospedagem podem configurar uma relação comercial.
“Se o influenciador ganha, direta ou indiretamente, algo com o conteúdo, isso pode ser considerado publicidade, mesmo que não seja explicitamente declarado”, afirmou.
Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que os envolvidos podem enfrentar consequências nas esferas administrativa, cível e criminal, dependendo do caso. Multas podem chegar a R$ 1,5 milhão, além de outras medidas previstas na legislação sanitária, no Código de Defesa do Consumidor e nas normas do Conar.
A Folha de S.Paulo contatou os artistas para entender a relação com os laboratórios paraguaios, se houve pagamento ou outras vantagens, além de questionar o uso dos medicamentos e o conhecimento da situação regulatória.
Deborah Secco não respondeu ao jornal. Nicole Bahls, via assessoria, afirmou ter sido convidada apenas para falar sobre saúde mental. A equipe de Lucas Lucco disse que ele participou devido a uma parceria com a CR Nutrition, sem cachê, e que sua presença “não configurou publicidade”. Emilly Araújo declarou ter sido convidada para conhecer o Lipoless, mas não o usou e desconhece questões regulatórias. Kamilla Salgado, MC Daniel, Gracyanne Barbosa, Juju Salimeni e Léo Stronda não responderam. Elieser Ambrosio mencionou cláusulas contratuais que o impedem de comentar.






