
Menino em meio aos escombros de Gaza segura filhote de gato, um gesto de ternura em território devastado. (Foto: Instagram)
O destino dos mais de 2 milhões de palestinos na Faixa de Gaza ainda é incerto, mesmo após o avanço do acordo entre Israel e Hamas nesta semana, com o grupo palestino e outras facções concordando em se desarmar.
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A desmilitarização do Hamas faz parte da segunda fase do acordo de paz mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025, que também impõe obrigações ao lado israelense.
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Nos últimos meses, a entrega de armas pelo grupo palestino e outras facções era um dos principais entraves nas negociações. Mesmo aceitando dissolver seu governo em Gaza e permitir uma administração civil transitória, o Hamas hesitava em se desarmar.
A situação mudou após extensas rodadas de negociações mediadas pelos EUA, Egito, Catar e Turquia.
A implementação da segunda fase do acordo, no entanto, não depende apenas do Hamas. Segundo o tratado de paz, a desmilitarização do grupo palestino está condicionada à retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza.
Em conversa com o Metrópoles, um porta-voz do Hamas na Jordânia expressou o receio de que o governo de Benjamin Netanyahu não cumpra a exigência e mantenha tropas das Forças de Defesa de Israel (FDI) no território palestino.
Khaled Qaddoumi afirmou que a administração israelense violou diversos pontos do acordo assinado há cerca de nove meses, incluindo a continuidade dos bombardeios em Gaza, mesmo após o cessar-fogo. Mais de 1,2 mil pessoas morreram no enclave desde outubro de 2025.
Israel, por sua vez, justifica as operações como parte de seu objetivo de destruir o Hamas. "Nossa aprovação para encontrar uma solução para as armas pesadas foi iniciada por um consenso nacional entre diferentes facções palestinas, e a condição para isso é: pare de matar o novo povo, saia de Gaza, abre as fronteiras para alimentos, água e materiais de construção, permita que o comitê nacional exerça pleno poder local, e então o povo palestino chegará a um acordo que possa governar as armas e a paz entre nós", declarou Qaddoumi.
A possível retirada militar de Israel da Faixa de Gaza, segundo autoridades israelenses, só deve ocorrer com a desmilitarização “genuína” do grupo palestino. No entanto, alas mais conservadoras do governo de Israel consideram a proposta de Trump inaceitável.
Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, defendeu que os "assassinatos em Gaza devem continuar". Ele afirma que interromper os ataques aos membros da organização terrorista equivale a permitir que o Hamas se reorganize.
Os próximos passos do acordo de paz ainda são incertos, até mesmo para diplomatas que acompanham o assunto de perto.
O embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, afirmou que o futuro do povo palestino depende da seriedade do Hamas e de Israel em cumprir a segunda fase do plano ou qualquer iniciativa que ofereça esperança aos palestinos.
"O que esperamos, no momento, é que as mortes de palestinos parem", disse o diplomata. "O problema na Faixa de Gaza sempre será a ocupação [israelense], mas se o Hamas se desarmar e Israel não retirar suas tropas, ou vice-versa, podemos ter de volta um ciclo de violência que afeta, principalmente, os inocentes".






