
Gabriel Medina e Isabella Arantes unidos diante da perda precoce do bebê (Foto: Instagram)
Gabriel Medina e Isabella Arantes perderam o bebê que esperavam poucos dias depois de tornarem pública a gravidez durante o casamento. A bailarina estava com cerca de três meses de gestação. Especialistas consultados pela coluna Fábia Oliveira analisaram a situação vivida pelo casal.
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De acordo com o obstetra e ginecologista Paulo Noronha, a perda de uma gestação nesse estágio, embora emocionalmente dolorosa, não é um evento raro. “O primeiro trimestre é justamente o período em que ocorre a maioria das perdas gestacionais. Isso acontece porque é uma fase de intensa formação e desenvolvimento embrionário. Quando há alguma alteração que impede o desenvolvimento normal, o organismo pode interromper a gestação”, explicou.
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O médico destacou, contudo, que a frequência do problema não diminui o impacto emocional para quem passa pela experiência. “É importante separar duas questões: do ponto de vista médico, a perda gestacional precoce é relativamente comum; do ponto de vista emocional, para cada família, ela representa uma experiência muito particular. O fato de ser frequente não significa que seja simples ou que a mulher deva encarar a situação como algo sem importância”, afirmou.
Uma das principais causas das perdas gestacionais no primeiro trimestre são alterações cromossômicas no embrião. Segundo o ACOG, aproximadamente metade das perdas gestacionais precoces está ligada a essas alterações. Elas podem ocorrer de forma aleatória durante a formação do embrião, impedindo o desenvolvimento da gestação.
“Em muitos casos, estamos diante de uma alteração genética ou cromossômica que ocorre ao acaso e impede o desenvolvimento adequado do embrião. Isso é muito diferente de dizer que a mãe fez algo errado. Na maioria das situações, não existe uma ação específica da mulher que tenha provocado a perda”, explicou Paulo Noronha.
O obstetra e ginecologista César Patez reforçou que a investigação da causa depende de cada situação e que nem sempre é possível identificar exatamente o motivo de uma primeira perda. “Uma perda gestacional isolada no primeiro trimestre não significa, necessariamente, que exista uma doença na mulher ou no casal. Muitas vezes, mesmo após a avaliação médica, não conseguimos apontar uma causa específica. Isso não significa que a investigação tenha sido inadequada, mas que determinados eventos acontecem de maneira espontânea”, afirmou.
Ainda segundo os médicos, um dos maiores mitos relacionados à perda gestacional é a ideia de que atividades cotidianas, estresse emocional, exercícios físicos ou relações sexuais possam provocar o aborto espontâneo em uma gestação que estava evoluindo normalmente. “É muito comum que, após uma perda, a mulher procure identificar alguma atitude que possa ter provocado o que aconteceu. Mas, na grande maioria das vezes, não é possível atribuir a perda a um esforço físico, a uma relação sexual, a uma situação de estresse ou a alguma atividade cotidiana”, explicou César Patez.
O especialista destacou que esse sentimento de culpa pode tornar o processo de luto ainda mais difícil. “A mulher não deve carregar a responsabilidade por algo que, na maioria das vezes, não estava sob seu controle. Uma das primeiras orientações após uma perda é justamente esclarecer isso: não se trata, na maioria dos casos, de uma consequência de uma decisão ou de um comportamento materno”, acrescentou.
Embora muitas perdas precoces estejam relacionadas a alterações cromossômicas, existem condições maternas que podem aumentar o risco de complicações durante a gravidez. Diabetes mal controlado, alterações da tireoide, algumas doenças autoimunes, infecções e alterações anatômicas do útero podem estar entre os fatores avaliados pelo obstetra, dependendo da história clínica da paciente.
A ginecologista e obstetra Núbia Fontes, ao explicar a importância do acompanhamento pré-natal em outras complicações da gestação, destacou que alterações metabólicas precisam ser identificadas e acompanhadas durante a gravidez. “O diagnóstico de uma alteração durante a gestação não deve ser encarado como motivo de culpa ou medo. O acompanhamento pré-natal existe justamente para identificar fatores de risco, acompanhar a evolução da gravidez e intervir quando necessário”, explicou.
No caso específico do diabetes gestacional, a especialista ressaltou que a condição costuma aparecer mais adiante na gravidez e não deve ser automaticamente relacionada a uma perda gestacional precoce. “É importante diferenciar as condições que podem surgir em diferentes momentos da gravidez. O diabetes gestacional, por exemplo, costuma ser rastreado ao longo do pré-natal e exige acompanhamento para reduzir riscos maternos e fetais. Não se deve atribuir automaticamente uma perda no primeiro trimestre a esse diagnóstico”, afirmou.
A idade é outro fator associado ao risco de perda gestacional precoce, segundo os médicos. O risco aumenta progressivamente com o avanço da idade materna, em grande parte pela maior frequência de alterações cromossômicas nos embriões. Dados do ACOG apontam que o risco de perda gestacional clinicamente reconhecida aumenta de forma significativa após os 35 anos.
“Existe uma relação importante entre idade materna e risco de alterações cromossômicas, mas isso precisa ser interpretado individualmente. Não significa que uma mulher mais velha necessariamente terá uma perda, assim como uma mulher jovem está completamente livre desse risco”, explicou Paulo Noronha.
De acordo com os especialistas, sangramentos podem acontecer durante o início da gravidez e nem todo episódio significa que a gestação foi perdida. Por outro lado, sangramento associado a cólicas, dor ou eliminação de tecido exige avaliação médica. “Um pequeno sangramento no início da gravidez não significa automaticamente que houve uma perda gestacional. Existem outras situações que podem provocar sangramento. Mas qualquer sangramento durante a gestação deve ser comunicado ao obstetra, principalmente quando é acompanhado de dor ou apresenta maior intensidade”, orientou César Patez.
Segundo os médicos, a confirmação de uma perda gestacional normalmente envolve avaliação clínica e exames, principalmente ultrassonografia. Dependendo do estágio da gravidez e da situação, exames de sangue também podem ser utilizados para acompanhar os níveis do hormônio beta-hCG.
De acordo com os especialistas, uma perda gestacional precoce costuma ser um evento isolado, e a maior parte das mulheres que passa por essa experiência consegue ter uma gravidez saudável posteriormente. “Uma primeira perda gestacional não significa que a mulher terá problemas para engravidar novamente ou que necessariamente exista uma alteração de fertilidade. O mais importante é avaliar o contexto clínico e, quando houver indicação, investigar fatores que possam estar relacionados ao episódio”, explicou Paulo Noronha.
César Patez acrescentou que a investigação mais aprofundada costuma ser considerada especialmente diante de perdas recorrentes ou de outros sinais clínicos. “Quando as perdas começam a se repetir, o cenário muda e precisamos investigar com mais atenção. Nesses casos, podem ser avaliados fatores anatômicos, hormonais, genéticos, imunológicos e outras condições que possam estar interferindo na evolução das gestações”, afirmou.
Embora a perda gestacional precoce seja frequente do ponto de vista estatístico, especialistas ressaltam que o sofrimento emocional não deve ser minimizado. A expectativa pela chegada de um filho começa, muitas vezes, no momento em que a gravidez é descoberta, e a interrupção pode provocar tristeza, frustração, culpa e ansiedade.
No caso de Gabriel Medina e Isabella Arantes, a perda ocorreu poucos dias depois de o casal tornar pública a gravidez, o que acrescenta uma dimensão particular à exposição do momento vivido pelos dois. “É fundamental respeitar o tempo emocional de cada casal. Não existe um prazo determinado para superar uma perda gestacional. A orientação médica deve cuidar não apenas da parte física, mas também reconhecer que existe um processo de luto”, afirmou César Patez.
Para Paulo Noronha, informação também é uma forma de acolhimento: “Quando explicamos que a perda gestacional precoce é relativamente comum e que, na maioria das vezes, não foi provocada por uma atitude da mulher, conseguimos retirar um peso importante de culpa. O casal precisa entender o que aconteceu, receber orientação sobre os próximos passos e ter espaço para elaborar emocionalmente essa experiência”, concluiu.







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