
Senador maranhense mantém candidatura após operação da PF (Foto: Instagram)
A recente operação da Polícia Federal (PF) que atingiu familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) não deve afetar seus planos de concorrer à reeleição. Mesmo com a investigação em andamento, o pedetista e seu grupo político garantem que seu nome permanece na disputa para o pleito de outubro.
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Weverton é candidato à reeleição ao Senado pelo Maranhão, sendo uma indicação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar a chapa de Orleans Brandão (MDB), juntamente com Eliziane Gama (PT-MA).
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Em comunicado à imprensa, o senador afirmou que sua candidatura está mantida e disse não ter se surpreendido com a operação, classificando a investigação como "ataques" devido às suas posições políticas.
“Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques. Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava que eles fossem tão longe ao envolver a minha família e até apoiadores políticos”, declarou o senador.
Nesta terça-feira (4/8), a família do parlamentar, que é vice-líder do governo do presidente Lula (PT) no Senado, foi alvo de operação da PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suposta lavagem de dinheiro em fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
Embora alguns aliados acreditem que a candidatura do senador "não se mantenha em pé", pessoas envolvidas na campanha eleitoral no Maranhão consultadas pelo Metrópoles afirmam que não há, no momento, perspectiva de mudanças na candidatura do senador, mesmo com possíveis novos desdobramentos da operação da Polícia Federal.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que pesa o fato de Weverton ter sido escolhido pelo presidente Lula, o que tornaria uma substituição politicamente complexa e exigiria uma ampla articulação entre partidos e lideranças da base.
Por outro lado, membros do PT maranhense acreditam que os recentes acontecimentos não devem impactar a campanha de Felipe Camarão ao governo do estado nem o palanque para Lula nas eleições nacionais.
A avaliação é que, embora Weverton seja próximo de Lula e vice-líder do governo no Senado, o eleitor não associa a imagem do senador ao presidente Lula. Além disso, o fato de Weverton integrar uma chapa adversária ao PT contribui para essa dissociação.
O envolvimento de Weverton em escândalos, no entanto, não é novidade. O senador foi indiciado no relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) ao final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no INSS por advocacia administrativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Contudo, ele não foi indiciado no relatório da PF.
O candidato à reeleição na Câmara dos Deputados pelo Maranhão e vice-presidente da CPMI do INSS, Duarte Junior (Avante-MA), afirmou à reportagem que a operação já era esperada.
“Tudo que está acontecendo hoje é um desfecho claro do que investigamos e apontamos durante a CPMI do INSS. Não há dúvida de quem está por trás de décadas de roubos nas aposentadorias dos idosos brasileiros. E, por óbvio, não só pode como deve interferir nas eleições. Afinal de contas, o eleitor está cada vez mais ligado nesse tipo de informação”, declarou.
O senador teve a prisão solicitada pela PF, mas a medida foi negada pelo STF e pela Procuradoria Geral da República (PGR). Rocha foi apontado pela corporação como o "sustentáculo" político do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A instituição afirmou que o parlamentar era "sócio oculto" do esquema de descontos irregulares de aposentados e pensionistas.
Em suas recentes atuações no Senado, o candidato à reeleição foi relator da sabatina da indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), para uma vaga no STF. O texto foi favorável e afirmava que o indicado preenchia todos os requisitos. O nome de Messias, no entanto, foi rejeitado pelo plenário do Senado.
A movimentação de Weverton ocorre em um momento delicado para a ala progressista no Maranhão, que tenta se reorganizar politicamente após rompimento entre o atual governador, Carlos Brandão (sem partido), e o grupo do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dino e Brandão eram aliados e passaram a seguir caminhos distintos após divergências sobre a sucessão estadual e a distribuição de espaços de poder. Com o rompimento, Brandão lançou o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato ao Palácio dos Leões.
A escolha confirmou o rompimento entre dinistas e a família Brandão no estado e enterrou a possibilidade de o vice-governador Felipe Camarão (PT), aliado de Dino, assumir o protagonismo da chapa.
Do outro lado, a oposição aposta no ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) para assumir o governo do Maranhão. Braide, que negou investidas do PT por uma aliança, também busca se dissociar do bolsonarismo — postura considerada estratégica, tendo em vista que o estado é considerado um reduto petista e, tradicionalmente, elege políticos aliados do presidente Lula.






