Ferroviários da CPTM encerram greve após acordo com governo de São Paulo

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Líder sindical discursa em assembleia que decidiu pelo fim da greve da CPTM (Foto: Instagram)

O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) decidiu, em uma assembleia extraordinária realizada nesta quarta-feira (5/8), encerrar a greve na Companhia Paulista Metropolitana de Trens (CPTM). Mais cedo, durante uma reunião com a categoria no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), representantes do governo de São Paulo se comprometeram a enviar à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um projeto de lei para garantir a manutenção dos empregos nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que foram concedidas à iniciativa privada.

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Com a decisão, os ferroviários retornaram ao trabalho imediatamente. Por volta das 20h, o painel informativo da CPTM já indicava que a operação nas três linhas estava normalizada.

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O movimento grevista durou dois dias e causou filas e superlotação nas estações de metrô e trem da capital. Uma passageira relatou ao Metrópoles um atraso de 4h30 no trabalho. Ela mora em Artur Alvim, na zona leste da capital, e trabalha próximo à estação Jundiapeba, em Mogi das Cruzes.

Os ferroviários protestavam contra a concessão das linhas 11, 12 e 13 à Trivia Trens e pelas falhas operacionais desde que a empresa assumiu o controle. O descontentamento aumentou após um trem da Linha 12-Safira pegar fogo em 23 de julho. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse a operação conjunta com a Trivia por até três meses.

Dos 157 votantes na assembleia, 131 decidiram pelo retorno ao trabalho, enquanto 26 votaram contra, segundo o sindicato. A categoria segue em estado de greve, podendo retomar a paralisação se o governo estadual não cumprir o acordo.

Também foi decidido que os ferroviários da CPTM não treinarão a equipe da nova concessionária.

Antes da votação na subsede do sindicato no Brás, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já havia anunciado, em coletiva de imprensa, que apresentaria à Alesp um texto para a absorção ou cessão dos trabalhadores por órgãos da administração pública estadual durante o processo de desestatização. Tarcísio afirmou que o envio do texto seria condicionado ao retorno das operações até o horário de pico desta quarta.

Caso a greve continuasse, a Justiça do Trabalho já havia determinado que 90% dos funcionários deveriam trabalhar nos horários de pico e 70% nos demais horários. O Tribunal estabeleceu uma multa diária de R$ 5 milhões à entidade em caso de descumprimento, a partir de quinta-feira (6/8).

No próximo dia 19 de agosto, a categoria se reunirá novamente com o governo estadual para a assinatura de um novo acordo coletivo que ratifique o que foi proposto e aprovado na assembleia. Uma das exigências dos grevistas era que o acordo também incluísse os funcionários da Linha 10–Turquesa, a única ainda sob gestão da CPTM, embora a gestão de Tarcísio já tenha demonstrado interesse em concedê-la à iniciativa privada.

ENTENDA A GREVE

  • O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) decidiu iniciar a greve a partir da meia-noite de terça-feira (4/8), decisão aprovada em assembleia na segunda-feira (3/8), afetando as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
  • Na semana anterior, os ferroviários já haviam aprovado um indicativo de greve caso não houvesse avanços nas negociações com o governo estadual.
  • No primeiro dia, lideranças se reuniram com representantes do governo na Secretaria da Casa Civil, mas o encontro terminou sem acordo.
  • As reivindicações incluíam a reestatização das linhas concedidas à Trivia Trens, garantia de empregos na CPTM e aprovação do PL nº 730/2025, que prevê a absorção dos funcionários por órgãos públicos após concessões.
  • Durante a paralisação, as linhas 11-Coral e 12-Safira operaram parcialmente, enquanto a 13-Jade teve o serviço completamente interrompido.