
Palácio do Planalto, Brasília (Foto: Instagram)
O que a pré-campanha no Brasil tem mostrado até agora? Revela que as eleições presidenciais estão se tornando menos relevantes do que as para governadores, senadores e deputados federais, seguidas pelas de deputados estaduais.
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A corrida presidencial transformou-se em uma espécie de guerra de rejeições, alimentada e fomentada por narrativas de polarização fabricadas. Há um desgaste na disputa presidencial, resultando em alta indecisão e volatilidade dos eleitores, além de uma possível alta abstenção.
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Com uma crise na oferta de novas lideranças políticas, o eleitor mediano deseja algo diferente. No entanto, o sistema político continua a oferecer mais do mesmo.
Nesse ritmo, podemos estar nos encaminhando para um governo nacional de coabitação entre 2027 e 2031, com características de um governo de transição para 2030.
O problema central e recorrente é o sistema político disfuncional e a crescente fragilidade do Centro de Poder. Não conseguimos formar uma coalizão politicamente dominante capaz de criar maiorias de governo e estabelecer uma agenda mínima. O país carece de uma agenda, além das palavras de ordem e discursos eleitorais.
Com uma coalizão politicamente dominante desorganizada, não temos um bloco de poder necessariamente conectado com a sociedade. O que vemos é uma movimentação recorrente e instável de formação de uma oligarquia dos três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo), desconectada da sociedade.
Aprofunda-se, assim, um horizonte de entropia e exacerba-se a anomia social. Continuamos "fugindo para a frente" – ou, como se diz popularmente, "empurrando com a barriga".
É essa fragilidade política de governança e governabilidade que empurra o país para um ambiente de policrise entre 2027 e 2031.
O cenário global de inflação mais alta e taxas de juros elevadas – guerras, conflitos e El Niño. Cenário nacional de baixo crescimento (voo de galinha), inflação sob pressão, dominância fiscal – e baixa produtividade – com a economia ainda fechada (para proteger a indústria).
Neste cenário já em curso, as eleições estão se tornando regionalizadas e estadualizadas. No ambiente político de partidocracia e fragilidade do Centro de Poder, torna-se mais importante eleger deputados federais, senadores e governadores.
Rumo à coabitação a partir de 2027. Lembrando que uma diástole política já atua desde a pandemia como boia e pilar para conter a escalada da crise institucional no país. Um processo de descentralização e de estadualização da política e do poder político.
Esse processo é combinado com o crescimento exponencial das emendas parlamentares para os municípios, reacendendo uma tradição do processo político brasileiro: a estadualização da política. A política centrada nos estados. Conferindo centralidade política aos governadores.
Desde a pandemia, aqueles governadores e prefeitos que realizam boas gestões e fazem entregas à população despontam como lideranças que contribuem para o crescimento do país e que, ao mesmo tempo, atuam na mediação política e na articulação da governança e da governabilidade.
É a boia política e econômica da descentralização e da nova diástole do poder político. Que tende a continuar.
Lembrando que o Senado da República é a casa do território, isto é, a representação dos estados no Congresso Nacional. O Senado terá renovação de 2/3 em sua composição. Poderá, ao lado dos governadores e prefeitos, contribuir para a construção e sustentação de um governo de coabitação entre 2027 e 2031.
A probabilidade do imperativo da coabitação para garantir a governança e a governabilidade significa, até como corolário, a busca pela recomposição de uma Frente Ampla no Brasil.
Uma Frente Ampla uniu-se para eleger Lula em 2022. Mas o governo Lula 3 não costurou uma governabilidade pela via da Frente Ampla. Talvez por isso, o PT chegou ao governo, mas não ao Poder. Resultando na perda de capital político, social e simbólico de Lula.
Com as incertezas do cenário global e nacional para 2027-2031, será muito difícil governar o Brasil sem o consenso mínimo permitido pela operação de uma Frente Ampla.
Ainda mais porque, até agora, as candidaturas presidenciais não apresentaram projetos de futuro. Nesse ritmo, a coabitação será ainda mais necessária.
Para erguer uma Agenda de futuro que possa conter a mudança do modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo inflacionário para o modelo de crescimento baseado no estímulo ao investimento, à produtividade e à abertura comercial do país.
Olhar para o problema fiscal? Sim. Mas também considerar um crescimento potencial com metas de investimentos públicos e privados, superando a barreira dos 4% de crescimento do PIB.
Antônio Carlos de Medeiros é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.







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