Militantes do PSDB criticam apoio a Tarcísio e gestão de Paulo Serra em SP

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Lideranças do PSDB em meio a dissidências internas (Foto: Instagram)

Militantes históricos do PSDB publicaram uma carta aberta no último fim de semana criticando a condução do partido em São Paulo, estado que foi governado pelos tucanos por 28 anos. As críticas se concentram no apoio da Federação PSDB-Cidadania à candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), após um aliado de Paulo Serra, presidente estadual do partido, ter sido nomeado presidente da Fundação Casa.

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“A direção provisória – não eleita em convenções democráticas – tomou decisões que desrespeitam nossa história e nossos filiados. A mais grave delas é a inédita renúncia em lançar candidaturas majoritárias no estado de São Paulo, abandonando nossa responsabilidade histórica e nossa presença política”, afirma a carta.

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“A decisão de apoiar candidaturas alinhadas a lideranças que flertam com o autoritarismo e práticas antidemocráticas representa um rompimento completo com os valores que sempre defendemos”, continua o documento, assinado por Mario Covas Neto, ex-vereador paulistano e filho do ex-governador Mário Covas, e José Aníbal, ex-senador e ex-presidente nacional do PSDB.

Este é mais um capítulo no afastamento do PSDB de suas raízes social-democratas, processo que se intensificou com a escolha de João Doria para a prefeitura de São Paulo há uma década. Desde 2023, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André, preside a executiva estadual do partido.

Desde que assumiu a presidência, Serra alterou a executiva várias vezes. “Eu mesmo fazia parte até o ano passado e só soube por acaso que tinha saído. Ele arruma as coisas de acordo com seus interesses e os de sua esposa, que é deputada estadual”, afirmou Mário Covas Neto à coluna.

Segundo o ex-vereador, Serra foi incentivado a concorrer ao governo do Estado, mas resistia à ideia. Até que Aécio Neves, deputado federal e presidente nacional do partido, anunciou em São Paulo que Serra seria candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Entretanto, o partido nunca estruturou uma pré-campanha de fato, e Serra desistiu de ser candidato dias antes de Acácio Miranda, seu aliado, ser nomeado presidente da Fundação Casa. Miranda já foi secretário municipal de Planejamento Estratégico, Saúde e Infraestrutura na gestão de Serra em Santo André.

Procurado pela coluna, o ex-prefeito afirmou estar tranquilo com a escolha do diretório estadual. “A decisão foi da maioria da executiva. Os princípios democráticos pregam que a minoria respeite a decisão da maioria. Temos representantes de todas as regiões, prefeitos, vereadores, quem tem mandato, produtividade eleitoral e política. Não quem torra o dinheiro do partido com aventuras”, disse Paulo Serra.

A crítica se refere à eleição municipal de 2024, quando o PSDB lançou uma chapa com José Luiz Datena e José Aníbal, terminando em quinto lugar com 112.344 votos, menos de 2% do total. “Os que assinam a carta são os mesmos que desperdiçaram recursos do partido no pior desempenho do PSDB na história das eleições na capital. Além de uma candidatura pífia a prefeito, não elegemos nenhum vereador. O prejuízo levará anos para ser corrigido.”

O presidente estadual alega que o grupo opositor representa a “decadência” do PSDB e que o partido está abrindo sindicância para investigar as contas do diretório municipal da capital. “Falta de transparência, absurdos com dinheiro público. Não divulgamos isso, mas quando atacam o próprio partido, precisamos restabelecer a verdade”, continuou.

O PSDB governou São Paulo de 1994 a 2022, vencendo sete eleições consecutivas com Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra, Alckmin novamente e João Doria. Em 2022, deixou o governo quando Rodrigo Garcia, concorrendo pelo partido, não se reelegeu – ele havia sido eleito como vice. Agora, quatro anos depois, não tem candidato.

Atualmente, o partido não possui deputados federais por São Paulo e conta com apenas dois representantes na Alesp: Damaris Moura e Ana Carolina Serra, esposa de Paulo Serra. Em 2024, o PSDB elegeu 21 prefeitos em São Paulo, uma queda significativa em comparação com os mais de 170 de seis anos atrás. O partido venceu em duas cidades importantes: Santo André e Marília. Em Piracicaba, chegou ao segundo turno.

O PSDB não tem candidatura majoritária em São Paulo e lançou, via federação, Soninha Francine (Cidadania) ao Senado. A candidatura é criticada por não ser competitiva e tirar votos de Simone Tebet (PSB) e Tábata Amaral (PSB), na disputa contra os indicados de Tarcísio: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Pesquisa da RealTime Big Data, divulgada nesta segunda, mostrou Derrite (18%), Tebet (17%), André do Prado (14%) e Tábata (13%) próximos, enquanto Soninha tem 3%.

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