
Delegado reencena operação do PCC para vídeo em cativeiro (Foto: Instagram)
Uma vítima, resgatada por policiais civis de um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi colocada de volta no cativeiro ao lado do sequestrador para que Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, pudesse reencenar a operação para um vídeo. A gravação foi posteriormente publicada em seu canal no YouTube.
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O incidente, que ocorreu em julho de 2020 na Vila Nhocuné, zona leste de São Paulo, levou à abertura de um processo administrativo que resultou na demissão de Da Cunha da Polícia Civil, anunciada no Diário Oficial do Estado em 3 de setembro pelo governador Tarcísio de Freitas. No entanto, Da Cunha conseguiu reverter a decisão por meio de uma liminar.
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A operação original foi conduzida por policiais da 8ª Delegacia Seccional. Denis Ramos Camargo, então delegado assistente, prendeu o sequestrador Rodney Chabes de Souza e libertou a vítima, que seria julgada pelo PCC. Conforme o processo, Da Cunha chegou depois com um cinegrafista e ordenou que a cena fosse reencenada. A vítima foi informada de que a gravação seria usada como prova policial, mas descobriu posteriormente que era para o canal do delegado.
O documento aponta que duas gravações foram feitas. Na primeira, Rodney estava algemado, enquanto na segunda, as algemas foram retiradas. A vítima relatou ter ficado no barraco com o sequestrador sem algemas por cerca de seis a sete minutos.
A denúncia sobre a encenação foi feita à Polícia Civil em agosto de 2021, levando à abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no mês seguinte. O parecer final confirmou que Da Cunha utilizou recursos pessoais e da polícia para criar conteúdo particular.
Tarcísio decretou a demissão em prol do serviço público na quinta-feira. Contudo, horas depois, uma liminar do desembargador Álvaro Torres Júnior assegurou que Da Cunha permanecesse na Polícia Civil, destacando que novos elementos agravantes não foram apresentados previamente à defesa.
Da Cunha declarou à coluna que sua demissão foi fruto de "perseguição política".







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