
Milícia virtual de seguidores de Maira Rocha em ação de intimidação online (Foto: Instagram)
Um esquema organizado de intimidação e assédio virtual trabalha incessantemente para silenciar qualquer um que questione as práticas da médium Maira Rocha. O grupo digital, composto por seguidores leais e radicais da líder espiritual, realiza ataques coordenados contra jornalistas, pesquisadores, políticos e cidadãos comuns.
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O objetivo principal é anular denúncias e destruir a reputação de quem coloca em dúvida a autenticidade das cartas psicografadas pela mulher que lidera a Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras.
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A coluna Na Mira teve acesso a um boletim de ocorrência registrado recentemente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O documento descreve o desespero de um homem que foi alvo de uma avalanche de mensagens intimidatórias enviadas por meio de redes sociais, WhatsApp, e-mail e chamadas telefônicas diretas.
Todos os perfis que enviaram mensagens foram capturados pela vítima e entregues aos investigadores para análise. Dependendo do teor das mensagens, esses seguidores de Maira podem ser acusados de stalking. Uma situação semelhante foi vivida por uma idosa que, após expor uma carta falsa, passou a ser alvo de insultos nas redes sociais.
Um político de Brasília, que registrou uma ocorrência que originou um inquérito na 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), passou a ser duramente atacado pela milícia virtual. Ao perceber que foi vítima de uma suposta fraude espiritual — ao receber uma carta falsa atribuída à sua mãe falecida —, ele se tornou alvo prioritário da milícia após o caso ser publicado no Metrópoles em 31 de agosto de 2026.
Assim que o texto foi publicado, o telefone do político não parou de tocar. Números desconhecidos e perfis em redes sociais começaram a enviar acusações violentas, criticando-o por ter levado o caso à mídia e alegando que ele omitiu partes do documento.
Outra mensagem, com tom de cobrança, dizia: "Não dá para aceitar covardia, você serve à população, um político que deveria dar exemplo, por que não postou a carta completa?" [sic].
Acostumado ao debate público, o político relatou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que o teor, a frequência e a insistência do assédio ultrapassaram o limite do debate e se tornaram ameaças reais, deixando-o profundamente acuado. Ele entregou o histórico de chamadas e os prints das conversas às autoridades para fundamentar a investigação penal.
A horda de seguidores da médium não poupou jornalistas e pesquisadores que ousam contestar ou sequer levantar dúvidas sobre qualquer afirmação feita pela médium. Dois produtores da TV Globo sentiram na pele — e nas redes sociais — a perseguição fanática dos seguidores raivosos da médium. Pesquisadores que se insurgiram contra Maira também amargaram uma enxurrada de ataques e processos na Justiça.
Enquanto a milícia digital tenta conter os danos à imagem da médium na internet, o cerco policial e institucional se fecha no plano físico. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) confirmou a instauração de uma Notícia de Fato após a Ouvidoria do órgão receber uma série de denúncias formais contra Maíra Alexandrina (nome civil de Maira Rocha).
O caso está sob a análise de uma Promotoria de Justiça Criminal. Paralelamente, a PCDF conduz inquérito na 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante). A investigação refere-se a fatos ocorridos em 2019, cujos registros formais foram feitos no segundo semestre de 2025. A polícia busca mapear o alcance das condutas e a eventual responsabilização penal da religiosa.
Diversos ex-frequentadores do centro espírita de Águas Claras e especialistas do meio espiritualista afirmam categoricamente que a produção das cartas psicografadas de Maira Rocha é repleta de imprecisões, erros doutrinários e conceitos distorcidos compilados às pressas na internet.
A tática se aproveita da vulnerabilidade de famílias em luto extremo. No auge do desespero, a carga emocional impede que a vítima perceba as inconsistências no momento da leitura. Contudo, após o choque inicial, a constatação da manipulação torna-se evidente.
Ex-membros que preferem o anonimato por medo de retaliações confirmam que dados pessoais, apelidos e fatos específicos contidos nos bilhetes são extraídos diretamente de perfis abertos no Instagram e no Facebook — incluindo o uso involuntário de informações falsas que a própria família havia publicado por engano nas redes.
A versão oficial: em seu site, a Casa de Caridade Inácio Daniel alega que o processo é gratuito e sem garantias, justificando que “o telefone só toca de lá para cá” e que o nome do falecido precisa ser deixado em um livro na recepção. A realidade dos fatos: relatos colhidos apontam que a triagem do livro serve de ponto de partida para varreduras prévias nos rastros digitais das famílias.
Com as investigações do MPDFT e da Polícia Civil em andamento, as autoridades agora miram também na identificação dos perfis falsos e dos operadores da milícia digital que tentam blindar o esquema por meio da coação e do medo.
Ao contrário do que diz Maira aos seus seguidores, o Metrópoles tenta, desde domingo – quando foi ao ar a primeira reportagem – falar com ela por meio do canal oficial da Casa de Caridade Inácio Daniel, o único disponível no site. Após ignorar as tentativas de contato, apenas nesse sábado (5/9), às 10h26, Maira respondeu dizendo que “não deseja manter qualquer interlocução com o Metrópoles”.
Na sequência, escreveu: “A partir de agora, qualquer questão entre as partes será tratada exclusivamente na Justiça. As recentes publicações distorcem fatos, veiculam informações inverídicas e causaram graves danos à sua honra e imagem. As responsabilidades serão apuradas judicialmente”.







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