Ricardo Nunes busca se firmar como principal candidato do grupo para 2030

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Prefeito de São Paulo lidera comício de apoio a Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)

A mobilização das bases em torno do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, está formando um grupo político que, segundo seus integrantes, atuará também em 2030.

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Conforme relatos de aliados e do próprio prefeito a interlocutores, ele planeja disputar o Governo de São Paulo na próxima eleição, contando com o apoio de Tarcísio. O governador já declarou nos bastidores que, atualmente, seu nome preferido para sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes é o prefeito de São Paulo.

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Um dos desafios para o projeto, segundo políticos próximos à dupla, é o "hiato" que Nunes enfrentará após deixar a prefeitura em 2028. Até a eleição de 2030, ele precisará se manter em evidência para chegar forte na disputa.

Para isso, há a possibilidade de Nunes assumir uma secretaria no governo de Tarcísio ou até mesmo um ministério na administração de Flávio Bolsonaro, caso ele vença a eleição. Caso contrário, o prefeito precisará adotar uma estratégia para permanecer em destaque.

Tarcísio e Nunes consolidaram sua aliança em 2024, durante a campanha à reeleição de Nunes. O empenho do governador foi crucial para garantir que o prefeito não perdesse a vaga no segundo turno para o ex-coach Pablo Marçal (PRTB). Neste pleito, Nunes busca "retribuir" o esforço, mobilizando sua equipe na campanha do atual governador.

Sem a participação de Gilberto Kassab e do PSD, que marcou a campanha de 2022, membros do MDB ligados a Nunes assumiram responsabilidades na mobilização e organização de eventos do governador. Vitor Arruda, secretário-executivo da Prefeitura, e Diogo Soares, secretário municipal de Habitação, foram designados para coordenar as agendas na Grande São Paulo. Ambos são de extrema confiança de Nunes.

Na campanha de 2026, o próprio prefeito passou a desempenhar um papel que vai além da gestão municipal. Além de participar da mobilização para a reeleição de Tarcísio, ele se tornou um dos principais articuladores da candidatura presidencial de Flávio em São Paulo, movimentando-se até mais que Tarcísio nesse sentido.

Em agosto, Nunes levou Flávio a compromissos na zona leste da capital, reuniu empresários e lideranças locais e organizou um almoço político com a presença de Tarcísio, candidatos e dirigentes partidários.

Na ocasião, ele chegou a exigir que candidatos a deputado da coligação incluíssem nos santinhos tanto o número de Tarcísio quanto o de Flávio Bolsonaro. O prefeito também tem aproximado Flávio de vereadores e outros prefeitos da região.

Para o evento de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, tratado como um "comício" da campanha de Flávio, Nunes está pedindo o apoio das bases ligadas a vereadores e até de subprefeitos.

Aliados percebem que o prefeito busca se aproximar cada vez mais da família Bolsonaro, visando também 2030.

Uma das interpretações é que, caso Flávio vença a eleição, o PL pode querer ter um candidato próprio tanto para a eleição municipal em São Paulo em 2028 quanto para o governo paulista em 2030 – o que complicaria os planos políticos do prefeito.

Nesse sentido, o emedebista estaria se antecipando para ele mesmo ser a figura do bolsonarismo na capital. Aliados atentos ao cenário também comentam que o fato de Tarcísio ter articulado a ida de seu vice Felício Ramuth para o MDB acende o alerta para o grupo de Nunes. Na época, o prefeito foi contra o movimento quando questionado pelo presidente da legenda, Baleia Rossi, sobre a ideia.

Caso o governador realmente dispute a presidência em 2030, ele terá que deixar o cargo para Ramuth, que chegará à eleição no comando do cargo e, naturalmente, poderá se colocar como candidato. A interlocutores, Nunes afirma que Felício se comprometeu a não "ficar no seu caminho" caso o prefeito deseje tentar o Palácio dos Bandeirantes e que fará o que for melhor para o projeto de Tarcísio.

O entorno de Nunes também entende que, para se consolidar como o principal nome da direita para a sucessão de Tarcísio, ele precisa demonstrar força política fazendo o seu sucessor na prefeitura. Nos bastidores, o prefeito tem trabalhado membros do seu grupo para ocupar esse espaço.

O mais citado é o vereador e ex-secretário de Habitação, Sidney Cruz (MDB), que busca uma vaga na Câmara dos Deputados em campanha conjunta com a primeira-dama, Regina Nunes, candidata a deputada estadual. A aliados, Nunes comenta que vê semelhanças na trajetória de Cruz com a sua: uma figura que saiu da periferia da zona sul, tornou-se vereador e, na Câmara Municipal, foi relator do orçamento da cidade em diferentes anos.

Outro nome mencionado, em menor grau, é Fabrício Cobra, atual secretário de subprefeituras e também de confiança de Nunes. Aliados, no entanto, enxergam Cobra com um perfil mais voltado para gestão do que para a política eleitoral.

Outras articulações também são especuladas. Uma delas é Nunes e Tarcísio apostarem no ex-governador Rodrigo Garcia como o candidato do grupo à Prefeitura de São Paulo. No ano passado, Garcia entrou no Republicanos, partido de Tarcísio, e ao longo do mandato se aproximou do governador.

TARCÍSIO ENSAIA COALIZÃO PARA 2030
Para a reeleição, Tarcísio de Freitas conseguiu formar um amplo arco de alianças ao seu redor, contrastando com a campanha nacional de Flávio, que não conseguiu atrair outros partidos além do PL para a coligação.

Oficialmente, estão na coligação de Tarcísio: Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRF, Solidariedade, União Brasil e PP. Outras legendas, no entanto, também são aliadas, como o Podemos, PSDB, Cidadania, Novo e Missão.

Na primeira fase da corrida, Tarcísio participou de diversos eventos de lançamento de campanha de candidatos de partidos aliados. Para o início oficial, escolheu participar de um ato do ex-prefeito Rogério Lins, de Osasco, que foi secretário de Esportes de Ricardo Nunes.

A cidade da Grande São Paulo representa um modelo de frente política que interessa ao governador: na eleição municipal de 2024, Gérson Pessoa foi eleito por uma aliança que reuniu 17 partidos. O grupo é considerado importante para a mobilização eleitoral na Grande São Paulo.

A lógica é replicada em outras regiões. Ao longo da campanha, Tarcísio e seus aliados buscam fortalecer vínculos com prefeitos, vereadores e grupos locais, visando a rede política de uma possível candidatura presidencial em 2030.

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