
Marília Pêra em cena do documentário Viva Marília (Foto: Instagram)
Quem melhor para narrar a trajetória de Marília Pêra (1943-2015) do que a própria artista? Dona de uma das carreiras mais marcantes no teatro, cinema e televisão do Brasil, Marília revisita seus mais de 50 anos de vida artística e aspectos pessoais no documentário Viva Marília, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (10/9).
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Com um rico acervo de entrevistas, fotos e vídeos pessoais, além de trechos de algumas das mais de 100 obras em que Marília atuou, o filme dirigido por Zelito Viana evita o melodrama e permite que a atriz conte sua própria história. O resultado é um retrato íntimo, construído a partir das memórias e registros de uma carreira marcada por personagens no teatro, cinema e televisão.
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Filha de um ator português e neta de uma atriz italiana, Marília Pêra nasceu em uma família de imigrantes europeus dedicados ao teatro. Ela subiu ao palco pela primeira vez com apenas 19 dias de vida e, aos 4 anos, já estreava como atriz na companhia da francesa Henriette Morineau.
Desde a infância, Marília esteve familiarizada com os palcos e fez disso sua missão, mostrando ao país que não herdou apenas o talento, mas também a dedicação dos pais e avós. “Com quatro anos, eu aprendi que profissionalismo é dar a vida ao teatro”, revela em um trecho.
Essa dedicação e profissionalismo a levaram a diversos caminhos e produções. A atriz relembra quando superou Elis Regina em uma audição para o musical Como Vencer na Vida sem Fazer Força – quando ambas eram desconhecidas do público; das várias vezes que encarnou Carmem Miranda nos palcos; e do "amor passageiro" com o cinema brasileiro, onde se destacou no filme Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), aclamado pela imprensa internacional.
Ao longo do documentário, a obra mostra que a atriz era múltipla e versátil, não só nos palcos, mas também em suas opiniões sobre o que é ser artista antes, durante e após a fama. Ela descreve com paixão os luxos da vida nos palcos e o desejo de ser vista, famosa e bonita. “Eu gosto de ser atriz porque me dá a possibilidade de ser contraditória, louca e rica”, brinca.
Para mostrar a riqueza de Marília, o filme não se limita a enumerar suas conquistas profissionais, mas também aborda com delicadeza a vida pessoal da atriz. Mãe de três filhos, a maternidade é um aspecto breve, mas apresentado com carinho pela obra. “Tudo é uma coisa só: eu atriz, eu pessoa, eu mãe.”
Dois dos filhos de Marília – Ricardo Graça Mello e Esperança Motta – são os únicos a ter voz no documentário além da mãe. O roteiro é assinado pelo jornalista Nelson Motta, quarto marido de Marília. A filha mais velha do casal, Esperança, é creditada como codiretora da produção.
Viva Marília já está em cartaz em cinemas selecionados pelo Brasil.







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