
Ex-sócios da fintech Naskar deixam prisão provisória, mas ficam proibidos de atuar no mercado financeiro (Foto: Instagram)
Apesar de a 4ª Vara Criminal de Brasília ter concedido liberdade aos ex-sócios da fintech Naskar, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, a liberação foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares. Entre as restrições impostas está a proibição de atuarem no mercado financeiro.
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O alvará de soltura foi emitido na quinta-feira (3/9). Desde então, os investigados devem seguir oito medidas cautelares estabelecidas pela Justiça.
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As medidas cautelares incluem:
- Comparecimento a todos os atos de uma eventual ação penal;
- Proibição de contato, direto ou indireto, com vítimas, testemunhas, colaboradores e outras pessoas ligadas aos fatos investigados;
- Proibição de acesso ou frequência a empresas relacionadas aos fatos investigados, mesmo por meio de terceiros;
- Proibição de sair da comarca sem autorização judicial prévia;
- Recolhimento domiciliar à noite e nos dias de folga, salvo exceções autorizadas pelo Juízo;
- Suspensão de atividades empresariais e financeiras relacionadas aos fatos investigados, conforme decisões anteriores;
- Entrega e retenção dos passaportes e demais documentos de viagem; e
- Manutenção das restrições patrimoniais previamente deferidas, incluindo bloqueios, arrestos e indisponibilidades, conforme decisões já proferidas.
Na decisão que autorizou a soltura, o juiz Aimar Neres de Matos destacou que a investigação foi formalmente encerrada em 28 de agosto. Ele também mencionou que a análise de materiais já apreendidos não justificaria a manutenção da prisão dos investigados.
“As medidas de busca e apreensão já foram cumpridas, tendo sido arrecadados celulares, notebooks, pen drives, chips telefônicos, livros contábeis, documentos e outros elementos de interesse da investigação, os quais se encontram sob custódia do Estado”, afirmou o juiz.
O magistrado também observou que não havia notícias de tentativa de interferência na investigação, constrangimento de testemunhas ou risco de fuga. As medidas patrimoniais e a suspensão das atividades empresariais continuam em vigor.
Aimar Neres de Matos rejeitou a imposição de tornozeleira eletrônica, considerando o monitoramento desproporcional, dado o conjunto das demais medidas cautelares impostas.
RELEMBRE O CASO
- A Naskar Gestão de Ativos, com sede no DF e endereço em São Paulo (SP), se apresenta como fintech que oferece facilidades financeiras em comparação aos bancos tradicionais;
- A empresa captava recursos de clientes prometendo retorno de 2% ao mês, muito acima do mercado;
- Exemplo: um investimento de R$ 1 milhão rendia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech;
- A financeira operou sem problemas por 13 anos, até que, em maio de 2026, os pagamentos mensais não foram realizados;
- Clientes buscaram explicações e não obtiveram resposta. Posteriormente, foi anunciado que a Naskar seria vendida para Douglas Silva de Oliveira Azara;
- Sob pressão, Douglas afirmava aguardar documentação para reembolsar as vítimas, mas desistiu da compra meses depois;
- Marcelo Arantes, Maurício Jahu e Rogério Vieira foram presos pela Polícia Civil do DF em junho, suspeitos de fraude devido ao desaparecimento e suposta venda da Naskar;
- Douglas Silva de Oliveira tem mandado de prisão por outro processo de fraude contra a Zema Financeira, como revelado pelo Metrópoles. Sua última aparição pública foi em Dubai.
MAIS SOBRE OS EX-SÓCIOS
Conhecido como Maurício Jahu, José Maurício é ex-atleta de vôlei, com carreira no Clube Atlético Pirelli e passagens pela Seleção Brasileira nos anos 1980. Foi treinador, modelo e apresentador de TV na ESPN Brasil por cerca de 20 anos.
Marcelo Liranco Arantes era sócio-administrador de outras três empresas além da fintech. Rogério Vieira comandava duas companhias do setor financeiro.







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