Fãs da PlayStation questionam futuro dos jogos após declarações da Sony

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Logo do PlayStation destaca transição para o digital (Foto: Instagram)

A decisão da Sony de gradualmente abandonar a venda de jogos em mídia física trouxe à tona uma questão que já chegou à Justiça dos Estados Unidos: o que realmente significa comprar um jogo?

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A partir de 2028, novos títulos para PlayStation serão vendidos exclusivamente em lojas digitais. Isso significa que o jogador não terá mais um disco físico, e, conforme a própria Sony, não será dono do jogo digital, mas apenas terá uma licença para acessá-lo.

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Essa relação entre consumidor e jogo digital é o foco de uma disputa judicial na Califórnia. Um grupo de jogadores acusa a Sony Interactive Entertainment de não esclarecer nos anúncios e termos de venda que, ao “comprar” um título nas lojas virtuais, o consumidor está adquirindo apenas o direito de acesso ao conteúdo.

Em sua defesa, a empresa argumenta que não é razoável afirmar que os consumidores acreditam ter a propriedade do título vendido. “Um usuário razoável teria visto os termos de serviço acima ou logo abaixo do botão de ação [de comprar]”, diz a defesa da Sony em uma petição enviada à Justiça no último dia 21 de agosto. “[O usuário] pode usar um produto conforme descrito na licença, mas não é proprietário do produto. O software [do jogo] é licenciado a ele, não vendido”, acrescentam.

Este não foi o único argumento que deixou os fãs da PlayStation insatisfeitos. Para rebater os jogadores que entraram com a ação, a empresa questionou: se dois deles “compraram” o mesmo jogo com apenas 11 dias de diferença, como poderiam acreditar que ambos seriam proprietários do mesmo produto?

Conforme as declarações da Sony Interactive Entertainment foram divulgadas pela imprensa internacional, jogadores e fãs da PlayStation usaram as redes sociais para expressar sua indignação com a postura da empresa. Yann Neves, dono do canal Save Manual, foi um dos que se sentiram desapontados com a empresa que, na petição, deixou claro que a licença vendida pode a qualquer momento ser revogada.

“A Sony fez questão de mandar um email lembrando a gente que não possuímos de fato o jogo, e sim a licença”, conta ao Metrópoles. “Eu me senti enganado e muito puto. Aparentemente, a única segurança que tenho é se eu baixar meus jogos e não ligar mais a internet, terrível”, lamentou.

Na avaliação de Eduardo RedeSeT, especialista em tecnologia e dono do canal Aperte o Pause, os argumentos da Sony fazem sentido considerando o mercado atual não só de videogames, mas da indústria do entretenimento como um todo. Ele ressalta, porém, que falta clareza ao consumidor médio.

A ação movida pelos jogadores contra a Sony Interactive Entertainment ganhou uma repercussão ainda maior considerando declarações recentes da empresa sobre a venda de jogos em mídias físicas.

Em julho deste ano, a PlayStation anunciou que todos os novos jogos seriam vendidos exclusivamente nas lojas digitais a partir de 2028. Além disso, a empresa detalhou que a produção de discos de jogos lançados até dezembro de 2027 seria reduzida em cerca de 10%.

As medidas, segundo o anúncio, seriam uma “resposta às mudanças nas tendências da preferência dos consumidores”. “Se a indústria realmente caminhar para o fim das mídias físicas, a discussão sobre o que significa ‘comprar’ um jogo vai ficar ainda mais importante”, reflete Eduardo.

Veículos especializados como o Game Substack avaliam que, no momento, ainda é cedo para dizer quais serão os impactos reais na relação entre a PlayStation e outras empresas de videogames com os consumidores. Jogadores da velha guarda, no entanto, veem esta postura com temor.

“Parece algo bobo, mas ter um jogo no CD acaba sendo uma forma de colecionar e de ter em um espaço físico aquilo que um dia te divertiu por horas”, lamenta Yann Neves.

“Nesse futuro triste, sem mídias, imagino que uma simples descida no feed de alguma rede social já vá ser o suficiente pra suprir a curiosidade, eliminando qualquer aproximação com a obra. Com filmes já é o que acontece, tanto é que quem ama muito alguma obra procura ao menos ter um pôster. E eu espero que a gente não chegue nesse ponto com os jogos também. Prefiro muito mais guardar CD do que um código”, declara.

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