Escudo materno: vacinação contra VSR para grávidas no DF

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Vacinação de gestantes protege bebês contra bronquiolite (Foto: Instagram)

Gestantes a partir da 28ª semana de gravidez podem receber gratuitamente a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na rede pública de saúde do Distrito Federal. Esse vírus é o principal responsável por bronquiolite em bebês. A vacina foi incorporada ao calendário nacional de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025, com o objetivo de proteger recém-nascidos das formas graves da infecção nos primeiros meses de vida.

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A recomendação é que a vacina seja administrada entre a 28ª e a 36ª semana de gestação. Em situações específicas, pode ser aplicada a partir da 24ª semana, mas o ideal é seguir o período recomendado. A dose é única e protege o bebê ainda no útero. Em caso de nova gravidez, é necessário tomar outra dose. Não há restrição de idade para a vacinação.

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As gestantes podem receber a vacina em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) do DF. É possível encontrar a unidade mais próxima pelo InfoSaúde-DF. A estratégia de vacinar gestantes se baseia na imunização passiva. Conforme a Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, a aplicação da vacina bivalente recombinante no terceiro trimestre estimula a produção de imunoglobulinas (IgG) específicas contra a proteína F do VSR. Esses anticorpos atravessam a placenta, protegendo o bebê nos primeiros seis meses de vida.

O Metrópoles preparou uma matéria especial que relata histórias de mães cujos filhos foram internados em UTIs por bronquiolite e como isso influenciou a visão sobre a prevenção da doença. A reportagem também traz análises de especialistas em saúde sobre o impacto, segurança e eficácia da vacina contra o VSR. Leia a reportagem completa.

PROTEÇÃO EFICAZ PARA O BEBÊ
As infecções do trato respiratório inferior estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade de crianças e adultos globalmente. Em crianças menores de 2 anos, o VSR é a principal causa dessas infecções, sendo responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias em períodos sazonais, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.

O VSR pode afetar todas as idades, mas lactentes, especialmente menores de 6 meses, são mais vulneráveis às formas graves. Nesse grupo, o vírus é uma das principais causas de internação, com maior risco de complicações e morte entre prematuros e crianças com condições como cardiopatias congênitas, Síndrome de Down, anomalias respiratórias congênitas, imunodeficiência, fibrose cística e doença neuromuscular.

Atualmente, o SUS oferece duas estratégias seguras e eficazes para proteger bebês contra formas graves do VSR: vacinação durante a gestação e anticorpos monoclonais, como palivizumabe e nirsevimabe, aplicados diretamente nos bebês.

A vacinação materna é uma forma principal de prevenção, enquanto os anticorpos são indicados para grupos específicos de crianças com maior risco de agravamento, como prematuros de até 36 semanas e 6 dias e crianças de até 23 meses com certas comorbidades. Em alguns casos, ambas as formas de proteção podem ser complementares, conforme indicação médica.

A ginecologista e obstetra do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Rita de Cássia Corrêa de Oliveira Nishiyama, ressalta que a vacina requer um tempo mínimo de incubação no organismo materno.

“É necessário um intervalo de pelo menos 14 dias entre a aplicação e o parto para que a transferência de anticorpos via placenta seja concluída com sucesso. Caso o bebê nasça antes desse prazo, o recém-nascido precisará receber o anticorpo monoclonal para garantir a proteção”, explica Rita.

Conforme a especialista, a contraindicação principal à vacina contra o VSR é ter tido uma reação alérgica aguda após uma dose anterior do próprio imunizante. Nessas situações, a vacinação em nova gestação não deve ser repetida.

Felizmente, para a maioria das gestantes, as reações são leves e passageiras. Entre os efeitos mais comuns estão dor, vermelhidão e sensibilidade no local da aplicação, além de dor de cabeça e no corpo. Segundo Rita, esses sintomas geralmente desaparecem em até 72 horas.

EFICÁCIA DO IMUNIZANTE
O Ministério da Saúde destaca que a eficácia foi comprovada em estudos clínicos, mostrando 81,8% de eficácia na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR em bebês durante os primeiros três meses de vida.

A proteção permaneceu significativa até os 180 dias, com uma redução de 69,4% dos casos. O estudo também indicou um perfil de segurança favorável tanto para as gestantes quanto para os bebês acompanhados desde o nascimento até os 2 anos.

Na rede pública de saúde brasileira, os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde mostraram um impacto imediato da incorporação da vacina no calendário das gestantes. Comparando os primeiros semestres de 2025 e 2026, os casos de bronquiolite grave em bebês com menos de 6 meses caíram de 17.601 para 9.022.

Ao analisar os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo VSR, a queda foi de 52,5% (de 14.061 para 6.674 casos), acompanhada por uma redução drástica nas mortes de lactentes, que caíram de 159 para 85 óbitos.

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