Guerras devem ser o foco principal na 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York

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Representantes de 193 países participam da 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, debatendo conflitos armados e a necessidade de reformas no Conselho de Segurança. (Foto: Instagram)

Os conflitos armados em andamento devem ser o tema central dos discursos dos líderes mundiais na 81ª Assembleia Geral da ONU, que se inicia nesta terça-feira (22/9) em Nova York. O evento ocorre em meio a crescentes tensões geopolíticas e dúvidas sobre a capacidade do sistema multilateral de enfrentar as crises atuais.

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As tensões no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia no leste europeu serão mencionados durante os cinco dias de reuniões em Nova York, mas não serão os únicos tópicos. Os líderes também devem destacar as hostilidades em outras partes da Europa, Ásia e Oriente Médio.

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Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abrirá os discursos, espera-se a presença dos líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, todos envolvidos em disputas globais, em Nova York nesta semana.

Os discursos devem abordar não apenas os combates, mas também as possibilidades de cessar-fogo, proteção aos civis, ajuda humanitária, respeito ao direito internacional e a capacidade das instituições multilaterais de mediar conflitos. A atuação da ONU na resolução dessas crises também será discutida no fórum.

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas conforme necessário. Composta por 193 países-membros, cada um tem direito a um voto nas discussões.

Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e governo dos países membros. O evento acontece em Nova York e é uma oportunidade para os líderes discursarem. Neste ano, o tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma ONU que atenda a todas as pessoas”. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.

Apesar da expectativa por discursos sobre os conflitos atuais, há um clamor por reformas no Conselho de Segurança da ONU. Este órgão, focado em manter a paz e segurança internacionais, tem o poder de impor sanções econômicas, embargos e autorizar intervenções militares. Suas decisões são vinculantes para todos os países membros.

Desde sua fundação em 1945, o Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, além de dez países com mandatos rotativos de dois anos. Os membros permanentes têm poder de veto, permitindo que bloqueiem decisões de forma unilateral.

“O Conselho de Segurança foi formado após a Segunda Guerra Mundial e reflete a ordem global da época. Estados Unidos, China, Rússia e França representam o sistema vigente após 1945”, explica Paulo Cesar Rebello, doutor em Política Comparada e analista internacional.

“Uma reforma no Conselho de Segurança é necessária hoje porque a ordem global mudou. Há mais países com atuação significativa na comunidade internacional”, acrescenta Rebello.

Nos últimos anos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tem defendido que a renovação comece por países da África, garantindo um assento permanente para uma nação do continente, que enfrenta uma guerra esquecida e a mais grave crise humanitária do mundo.

O Sudão, em guerra civil desde 2023, enfrenta níveis catastróficos de fome e deslocamento devido à violência. Estimativas recentes da ONU indicam que mais de 24 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar no país africano. Além disso, cerca de 14 milhões de sudaneses foram forçados a deixar suas casas, seja para outras regiões do Sudão ou países vizinhos, devido à disputa pelo poder entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF).

Antes das agendas em Nova York, o presidente Lula uniu-se a Europa, Canadá e Quênia em um manifesto em defesa do multilateralismo, criticando o aumento dos investimentos em defesas militares no último ano — que atingiram o recorde de US$ 2,9 bilhões — e destacando o número de conflitos registrados em 2025.

“Em 2025, foram registrados 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais alto desde 1946, enquanto as despesas militares globais atingiram o recorde de 2,9 bilhões de dólares”, afirma o documento assinado por Lula, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo presidente do Quênia, William Ruto, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

No documento, os líderes também defendem a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Este tema deve aparecer novamente no discurso de Lula, assim como menções aos conflitos que se espalharam pelo mundo nos últimos anos, como ocorreu no discurso de 2025 do petista.

“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento. Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. O Haiti tem direito a um futuro livre de violência. E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo. No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar”, declarou o petista no ano passado.

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