Zuenir Ventura: De quase padre a ícone do jornalismo brasileiro

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Zuenir Ventura posa ao lado de uma câmera em estúdio (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – Antes de se tornar um dos grandes nomes do jornalismo no Brasil, Zuenir Ventura, que faleceu nesta terça-feira (22/9), aos 95 anos, teve um destino diferente planejado: ser padre.

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A trajetória começou quando ainda era criança em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, para onde se mudou poucos dias após seu nascimento.

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O próprio Zuenir relatou essa fase de sua vida em um depoimento à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 2011. Nascido em Além Paraíba, em 1º de junho de 1931, Zuenir viveu em Ponte Nova até os 11 anos e estudou como interno no Colégio Salesiano Dom Helvécio.

A família de Zuenir tinha poucos recursos. De acordo com ele, sua mãe, Herina de Araújo, lavava as batinas dos padres para que ele pudesse estudar no internato sem custos, desejando que o filho seguisse a vida religiosa. “Minha mãe lavava as batinas dos padres para eu poder estudar de graça no internato. Depois, descobri que a vocação para a religião era dela e não minha. Ela queria que eu fosse padre, não eu”, revelou Zuenir.

Zuenir percebeu a falta de vocação religiosa em Friburgo (RJ), onde se mudou aos 11 anos. “Minha mãe costumava dizer que eu me perdi. Tenho duas irmãs mais velhas do que eu, e um irmão mais novo. Dois nasceram em Friburgo e dois em Ponte Nova”, continuou ele.

DO INTERNATO AO JORNALISMO
Antes de se firmar no jornalismo, Zuenir trabalhou em diversas funções. Atuou como pintor, faxineiro, contínuo de banco e balconista. Mais tarde, cursou Letras Neolatinas na então Faculdade Nacional de Filosofia, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sua carreira na imprensa começou na Tribuna da Imprensa, inicialmente no arquivo. Ao longo de mais de seis décadas, trabalhou em veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo.

Zuenir também se destacou na literatura. Entre suas obras mais conhecidas estão "1968: O Ano que Não Terminou", sobre um dos períodos mais marcantes da ditadura militar, e "Cidade Partida", que aborda a violência e a desigualdade social no Rio de Janeiro. Este último lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.

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