Engenheiro alertou sobre riscos em prédio que desabou em SP, matando seis

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Equipes de resgate vasculham escombros do prédio desabado na Penha (Foto: Instagram)

Um engenheiro civil que inspecionou a obra que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, identificou falhas estruturais e recomendou a remoção das famílias do edifício vizinho. Essa informação foi dada em depoimento à Controladoria Geral do Município (CGM) na última sexta-feira (18/9). O desabamento, ocorrido em 12 de setembro, resultou na morte de seis pessoas.

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Conforme relato, a construtora New Home, responsável pela obra, contratou a empresa do engenheiro Fábio José de Oliveira para realizar serviços no local, na Rua Tequici, em fevereiro de 2026. Durante a vistoria, o engenheiro encontrou divergências no número de unidades habitacionais. Embora o alvará previsse 39 unidades, cerca de 50 foram planejadas. Ele também observou estreitamento das escadas, a falta de um reservatório de combate a incêndio e a não conformidade com as normas do Corpo de Bombeiros.

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O prédio em construção desabou sobre uma casa na Rua Tequici, na Penha, por volta das 2h do dia 12 de setembro. Oito pessoas estavam na casa quando a estrutura caiu sobre imóveis vizinhos, resultando na morte de seis, incluindo uma mulher grávida e uma criança. Outras duas pessoas foram resgatadas com vida. As vítimas eram da Bolívia e do Paraguai. A construção já havia sido alvo de ações da Prefeitura, que a interditou em 2019 por falta de alvará e buscou na Justiça impedir seu avanço em 2021. A Polícia Civil investiga as responsabilidades pelo desabamento.

O engenheiro observou que a construção "puxava uma das casas e empurrava outra". Na casa atingida, ele notou rachaduras que afetavam a calçada. Ele recomendou a retirada da família por risco de colapso. No depoimento, afirmou ter solicitado uma análise do uso do solo, mas a empresa disse não possuir o documento. A New Home alegou ter R$ 670 mil para reestruturação, mas o engenheiro considerou o valor insuficiente, estimando até R$ 5 milhões para tornar a estrutura habitável. Após a vistoria, a construtora não contratou a empresa do engenheiro.

Quatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual, segundo a Polícia Civil. Três sócios da construtora já tiveram mandados de prisão expedidos. Ronaldo Vivacqua, sócio oculto da New Home, foi preso no domingo (13/9). Cristiano Vivacqua, responsável técnico, e Ísis Brandão, proprietária formal, estão foragidos.

Além deles, a servidora Viviane Rodrigues de Palma, que assinou um documento atestando a demolição do prédio em 2024, também pode ser indiciada. Viviane foi ouvida pela polícia na terça (15/9) e afastada por 120 dias após o desabamento. Ela era coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura da Penha.

A delegada Deidiene Fialho afirmou que as mortes resultaram de uma série de eventos. Em 2019, a Prefeitura de São Paulo identificou que a obra avançava sem alvará e a interditou, mas os trabalhos continuaram. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município entrou com ação para interromper a construção. A prefeitura condicionou uma nova edificação à demolição da estrutura existente, mas a construção continuou sobre a fundação inadequada. A servidora atestou a demolição, que não ocorreu.

Viviane declarou à polícia que visitou a obra em 2024 para vistoria do alvará. A New Home deveria apresentar um projeto básico de 154 metros ao solicitar o alvará. Ela constatou uma obra diferente e atestou a demolição, conforme registrado. As declarações serão confrontadas com processos administrativos e judiciais.

Em nota, a defesa de Viviane Rodrigues de Paula afirmou que o procedimento mencionado foi instaurado em 2020 para esclarecer informações financeiras e patrimoniais de 2016 a 2018. Documentos foram apresentados, e o processo está em análise. A defesa destacou que o procedimento ocorreu antes do relatório de 2024 sobre a obra atual. A reportagem busca contato com os outros citados.

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