Justiça de SP ouve novas testemunhas sobre morte em rope jump

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Instantes antes do salto de rope jump em Limeira que terminou na queda fatal de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. (Foto: Instagram)

A Justiça de São Paulo retoma, nesta quarta-feira (23/9), a audiência para ouvir testemunhas sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida em junho deste ano. A jovem foi lançada de uma ponte sem corda durante um salto de rope jump em Limeira, no interior do estado.

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Quatro pessoas foram acusadas pelo incidente. Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves foram denunciados por homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como CEO da empresa responsável pelo salto, também foi denunciada pelo mesmo crime, mas com omissão imprópria e fraude processual, já que teria tentado eliminar provas importantes para a investigação.

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RELEMBRE O CASO
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, perdeu a vida após cair de uma altura de cerca de 40 metros durante a prática conhecida como rope jump. Em vídeos que circularam nas redes sociais, é possível ver três instrutores levantando a vítima e, em seguida, jogando a jovem da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo. Outros praticantes da modalidade que estavam presentes perceberam, logo após a queda, que a jovem estava sem cordas. Um amigo da jovem ficou em estado de choque ao presenciar o ocorrido e precisou ser hospitalizado. Os três envolvidos que aparecem nas imagens foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morte, mesmo que sem intenção de matar. A CEO da empresa responsável pelo salto também foi presa. A Justiça decidiu que os quatro devem permanecer presos.

A primeira etapa da audiência de instrução e julgamento ocorreu na última quinta-feira (17/9), quando as primeiras testemunhas prestaram depoimento. Mais testemunhas serão ouvidas nesta quarta-feira. As oitivas dos réus devem acontecer em uma etapa posterior.

ENTENDA A DENÚNCIA
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou, em julho, os quatro presos por homicídio com dolo eventual. Na denúncia, o MPSP argumentou que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar as precauções necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.

O documento também destacou que o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.

Em relação à organizadora do evento, o Ministério Público afirmou que ela tinha o dever de garantir a adoção de padrões mínimos de segurança e interromper a atividade diante de condições inadequadas, mas deixou de fazê-lo mesmo após tomar conhecimento de falha operacional semelhante ocorrida anteriormente. A denúncia também atribuiu a ela a prática de fraude processual por determinar a localização da câmera GoPro utilizada pela vítima e a exclusão do conteúdo nela encontrado, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos. O equipamento permanece desaparecido.

“A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fatos, nos termos dos artigos 21 e 22, § 6º, da Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo), com a redação dada pela Lei nº 14.978/2024, e do artigo 34, incisos I a VI, do Decreto nº 7.381/2010”, argumentaram os promotores.

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