Conflito na Linha 5-Lilás: Entregadores e Segurança em Confronto em SP

Publicado por

–


Entregador dispara rojão contra seguranças na Estação Santo Amaro da Linha 5-Lilás (Foto: Instagram)

A Linha 5-Lilás do Metrô tem sido palco de um verdadeiro campo de batalha entre entregadores por aplicativo e seguranças, com ameaças e ofensas que frequentemente evoluem para violência física nas plataformas e arredores das estações.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

Dois incidentes recentes ilustram como a tensão entre entregadores de bicicleta e a equipe de segurança da concessionária Motiva, responsável pela linha que atravessa a zona sul de São Paulo, tem aumentado. Em 31 de agosto, uma confusão na Estação Santo Amaro foi registrada por passageiros, onde dois jovens alegaram ter sido impedidos de embarcar com suas bicicletas. Três seguranças tentaram retirar os entregadores, derrubando as bicicletas e danificando uma delas, e os jovens foram agredidos com cassetetes.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Dois dias depois, cerca de 70 entregadores voltaram à mesma estação e promoveram um tumulto em protesto, lançando rojões contra os seguranças. Esses eventos, que estão sendo investigados pela Motiva, fazem parte de um cenário maior. Muitos entregadores que atuam na região de Moema residem nos extremos da zona sul, como Capão Redondo e Jardim Ângela. Nos horários permitidos, utilizam a Linha 5 para transportar suas bicicletas até áreas mais centrais, onde há uma alta demanda por entregas.

"FALTA DE RESPEITO"
Entregadores acusam os seguranças de agirem com truculência, até mesmo impedindo-os de fazer refeições nas proximidades da Estação Eucaliptos, perto do Shopping Ibirapuera. "É uma área pública, e eles dizem que não podemos parar para almoçar. Xingam, é uma falta de respeito", relata W, de 25 anos. "Eles colocam as mãos nas câmeras para não serem gravados", acrescenta.

O entregador também contou que foi expulso de um bicicletário da Motiva em um dia de chuva. "Estávamos lá dentro, tranquilos, esperando o celular carregar, e nos colocaram para fora", disse. "É uma palhaçada, uma falta de consideração."

M., de 24 anos, afirma que a série de humilhações que ele e seus colegas enfrentam está levando a situação a um ponto crítico. "Não queremos amizade, queremos ganhar nosso dinheiro, fazer as entregas e ir embora. Mas, ultimamente, parece que algo sério precisa acontecer para que eles vejam que não somos o que pensam", comenta.

A tensão tem aumentado, chegando a ameaças. "Eles sabem que não aguentam com a gente. Não precisa nem de um grupo grande, uns 10 já resolvem tudo aqui. Fechamos a estação, acabamos com tudo. É isso", diz. "Já estamos estressados, nem todo dia é um bom dia."

Os entregadores também enfrentam críticas. Outros usuários de bicicletários relataram que alguns jovens fumam maconha nesses locais, o que incomoda os demais.

DIÁLOGO
No entanto, nem tudo é conflito. A reportagem presenciou conversas amistosas entre seguranças e entregadores. Relatos indicam que as hostilidades não são generalizadas, mas sim resultado de desentendimentos pessoais ou reações entre trabalhadores mais "agitados" e agentes mais "perturbados".

Em Moema, um segurança, que também mora na periferia, disse que não vê motivo para hostilizar entregadores. Ele conversava com um jovem entregador, que confirmou que a relação é geralmente amistosa, com ajuda mútua quando necessário.

A política de boa convivência parece se repetir em outros pontos da Linha 5, com diálogo aberto entre as partes.

O QUE DIZ A CONCESSIONÁRIA MOTIVA
A Motiva afirma que está investigando os casos e tomará as medidas necessárias se forem comprovados excessos ou desvios de conduta. A empresa repudia qualquer forma de violência e discriminação em suas dependências e reforça seu compromisso com a segurança e respeito aos clientes e colaboradores, em parceria com órgãos de segurança pública.

"A conduta da concessionária prioriza o respeito mútuo entre Agentes de Atendimento e Segurança (AAS) e clientes. Qualquer ação que ignore essas premissas não reflete o padrão Motiva de atendimento", declara em nota.

Questionada sobre procedimentos para lidar com entregadores, a Motiva afirma manter uma agenda contínua de treinamentos e capacitações com foco no serviço e orientação. "A Motiva também promove campanhas permanentes para seus clientes sobre a utilização adequada e segura do sistema", diz.

A concessionária orienta que, em situações de abordagens fora do padrão, os clientes registrem ocorrências nos canais oficiais, para que medidas cabíveis sejam tomadas. "Estações, plataformas e trens contam com sistema de monitoramento por câmeras, e as imagens são monitoradas", afirma.

Os agentes podem atuar dentro da área de concessão, incluindo estações, áreas delimitadas e terminais de ônibus sob responsabilidade da Motiva. Sobre os relatos dos entregadores, a Motiva diz que busca oferecer uma experiência segura para todos. "Quando há indícios de risco à segurança, a concessionária atua para restabelecer a ordem", conclui.

A empresa reforça a importância do respeito às normas de utilização e segurança das estações, plataformas, trens e arredores. "Entre as regras, estão a proibição de circular em bicicletas, embarcar em horários não permitidos, usar entorpecentes e aparelhos sonoros sem fones, e obstruir portas de embarque e desembarque", finaliza.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *