
Boia de olhos ameaçadores e pipa imitam ave de rapina para afugentar aves marinhas na costa da Cornualha (Foto: Instagram)
Cientistas no Reino Unido desenvolveram um "espantalho flutuante" para reduzir a morte de milhares de aves marinhas na costa da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. O dispositivo, junto com uma pipa que imita uma ave de rapina, conseguiu diminuir em cerca de dois terços o número de aves presas em redes de pesca durante testes na região.
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Estima-se que cerca de 95 mil aves mergulhadoras, como o airo-comum e o airo-de-asa-branca, morram anualmente afogadas em redes de emalhar, que são cortinas de pesca instaladas ao longo da costa europeia.
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O dispositivo, chamado Looming Eye Buoy (LEB) — ou "boia de olhos ameaçadores" em português — foi criado por cientistas da Fishtek Marine em colaboração com a organização de conservação RSPB. Os resultados do estudo foram divulgados em 30 de setembro na revista científica Conservation Letters.
Os testes envolveram uma boia e uma pipa comercial com formato de ave de rapina. Ambos foram projetados para assustar as aves, mantendo-as longe das áreas de pesca com redes.
Para obter os resultados, os cientistas contaram com a colaboração de 10 pescadores locais, que instalaram câmeras em seus barcos e registraram, por dois anos, os efeitos dos dispositivos na captura acidental das aves.
"Este estudo fornece algumas das evidências mais sólidas até agora de que medidas simples e práticas podem reduzir significativamente a captura acidental de aves marinhas em redes de emalhar", afirmou Tom Horton, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Exeter.
Os resultados dos dispositivos foram analisados separadamente, e os dados foram enviados à Universidade de Exeter. As boias LEB reduziram em 59% as capturas de aves nas redes, enquanto a pipa conseguiu uma redução de 71%.
Os autores do estudo destacaram que a participação dos pescadores foi crucial, pois ajudou a identificar os locais onde os dispositivos seriam mais eficazes.
Durante o inverno na costa da Cornualha, houve um aumento nas capturas de aves marinhas, concentrado em áreas específicas. Esses dados permitem que os dispositivos sejam implantados estrategicamente nesses pontos.
O estudo também buscou equilibrar a proteção das aves com a atividade pesqueira. Os pesquisadores queriam uma tecnologia simples e durável, e a parceria com os pescadores locais foi fundamental para entender a rotina deles e instalar o dispositivo de maneira eficiente.
A RSPB destacou que outras tecnologias já mostraram eficácia de 90% na redução de capturas de aves em outras regiões, como na Namíbia, onde "linhas espanta-aves" reduziram o problema em 98% nos barcos de pesca com palangre, e na África do Sul, onde a diminuição chegou a 95% em arrastões.
Os cientistas planejam continuar a parceria com a RSPB, a Universidade de Exeter e os pescadores para aprimorar a tecnologia e desenvolver novos dispositivos.







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