Abutres-barbudos: aves que se alimentam de ossos e são essenciais para o ecossistema

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Abutre-barbudo (Gypaetus barbatus) carregando fragmento ósseo (Foto: Instagram)

Os abutres são grandes aves de rapina que se alimentam de animais mortos, desempenhando o papel de limpar o ambiente ao remover carcaças. Entre eles, os abutres-barbudos (Gypaetus barbatus) destacam-se por também consumirem os ossos dos restos de animais. Esta espécie habita regiões montanhosas da Europa, Ásia e África. No Brasil, o parente mais próximo é o urubu, que não costuma comer a parte óssea dos animais mortos.

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A bióloga Letícia Feitosa, do BioParque do Rio de Janeiro, explica que até 90% da dieta dos abutres-barbudos é composta por ossos. Embora eles eventualmente comam carne, isso é raro. Rafael Moreira, biólogo, menciona que a capacidade de digerir ossos se deve a adaptações físicas, desde o bico e garras até o sistema digestivo.

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Após ingerir os ossos, o sistema digestivo especializado do abutre-barbudo, com um estômago de acidez extremamente alta (pH inferior a 1), dissolve o material ósseo em cerca de 24 horas. Isso permite que eles aproveitem um recurso alimentar que poucas aves conseguem.

Os abutres-barbudos são atraídos pelos ossos devido ao seu valor nutricional. Estudos indicam que, em termos energéticos, os ossos podem fornecer energia comparável à carne. Além de se alimentar, essas aves ajudam a remover ossos do ambiente, prevenindo a proliferação de doenças ao matar bactérias presentes nas carcaças.

O apelido de "quebra-ossos" vem de uma técnica curiosa: quando encontram ossos grandes demais para ingerir, eles os soltam de alturas entre 100 e 150 metros sobre rochas para quebrá-los em pedaços menores, facilitando o consumo.

O nome "barbudos" se deve a uma característica única: ao contrário de outros abutres, eles têm a cabeça e o pescoço cobertos por penas e uma espécie de "barba" ao redor do bico.

Apesar de seu papel crucial no ecossistema, os abutres-barbudos enfrentam ameaças que comprometem sua sobrevivência, como o consumo de iscas envenenadas, colisões com redes elétricas, perda de habitat e diminuição de alimento disponível. Sem eles, a reciclagem de nutrientes e a limpeza dos ecossistemas são prejudicadas, já que atuam como necrófagos, alimentando-se de matéria em decomposição.

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