Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre sigilos

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Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente na polêmica abertura de sigilos (Foto: Instagram)

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações na quinta-feira (22/10) em meio à disputa sobre a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.

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Lula afirma que cumpriu sua parte no acordo e exige que o adversário faça o mesmo. A equipe de Flávio, por outro lado, acusa o petista de não entregar os documentos prometidos e de tentar limitar o alcance da medida.

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Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, foi indicado pela campanha de Flávio para acompanhar o processo e esteve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, para analisar o material. Ele afirmou que Lula apresentou um novo termo de compromisso, mas não entregou os documentos esperados.

Em um vídeo, Dallagnol também disse que representantes de Lula tentaram restringir a quebra de sigilos, excluindo informações do Instituto Lula. Segundo ele, a equipe jurídica de Flávio identificou essas restrições e fez anotações para esclarecer que a abertura deveria ser completa.

Dallagnol ressaltou que Flávio concordou com a abertura total dos sigilos e que os advogados ajustaram o documento para explicitar os termos do compromisso. Ele mencionou que o prazo para reunir os documentos e procurações necessários terminaria à meia-noite daquela quinta-feira.

Ele acusou Lula de não apresentar os documentos e relacionou a expectativa sobre o material à Operação Lava Jato. "Eu já sei o que esses papéis vão revelar, porque já vi uma vez na Lava Jato", afirmou.

LULA DIZ TER CUMPRIDO SUA PARTE
Em publicação no X, Lula declarou que sua campanha formalizou, às 11h, no TSE, o pedido para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico, conforme os termos propostos durante o debate presidencial.

Ele cobrou que Flávio também cumpra o acordo. "Continua adiando, protelando e enrolando. O Brasil merece saber a verdade", escreveu antes de concluir: "ABRE O SIGILO, FLÁVIO! EU JÁ FIZ A MINHA PARTE. AGORA, CUMPRA A SUA".

A campanha de Lula também propôs ao TSE que as autorizações para a quebra dos sigilos dos dois candidatos sejam entregues simultaneamente. Em petição ao ministro André Mendonça, relator do caso, o presidente afirmou aceitar as condições apresentadas por Flávio, mas defendeu o cumprimento integral da proposta original. Lula também pediu a inclusão de documentos da Alcazar Holdings, empresa em Portugal, no conjunto de informações a serem analisadas.

COMO COMEÇOU O DESAFIO
O desafio começou no domingo (18/10), durante o debate presidencial promovido pela TV Band, em São Paulo. Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancários e os de familiares, comprometendo-se a fazer o mesmo com seus próprios dados e os de seus filhos.

A proposta foi formalizada no TSE. Flávio, por sua vez, condicionou a abertura dos sigilos à divulgação de outras informações relacionadas ao governo Lula, incluindo gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, a agenda da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, anterior a fevereiro de 2025, e registros de visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada.

Na quarta-feira (21/10), o ministro da Educação e coordenador da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que Lula aceitava as condições apresentadas por Flávio e que disponibilizaria as informações solicitadas.

A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio, também assinou o novo termo de compromisso, segundo Dallagnol. As campanhas apresentam versões divergentes sobre o cumprimento do acordo: Lula afirma ter formalizado o pedido no TSE, enquanto a equipe de Flávio sustenta que ainda faltam documentos e autorizações para viabilizar a abertura dos sigilos.

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